Saxofonista Sonny Rollins morre aos 95 anos

Conhecido pela alcunha de ‘Colosso do saxofone’, por conta do álbum homônimo, músico deixa legado para além do jazz

O jazz perdeu, nesta segunda-feira (25), um de seus maiores revolucionários. Sonny Rollins, conhecido mundialmente como o “Colosso do saxofone”, morreu aos 95 anos em sua casa em Woodstock, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. Considerado um dos maiores improvisadores da história da música, o músico redefiniu a linguagem do jazz moderno ao longo de uma carreira que atravessou mais de seis décadas.

A morte foi confirmada por meio de um comunicado oficial, mas a causa não foi divulgada. A nota relembrou uma declaração dada pelo saxofonista em 2009, quando refletiu sobre espiritualidade e continuidade da arte: “Acho que quando a pessoa criativa termina, ela continua na próxima existência”.

O menino do Harlem que encontrou a própria voz

Criado no Harlem, em Nova York, Sonny Rollins descobriu cedo sua paixão pela música. Antes do saxofone, estudou piano, mas foi ao ganhar um instrumento da mãe, aos 7 anos, que encontrou o caminho que mudaria sua vida.

“Peguei o saxofone, fui para o quarto e comecei a tocar. Eu estava no paraíso”, contou em entrevista à revista Jazz Times.

Ainda adolescente, Rollins desenvolveu sua técnica ao lado de futuros gigantes do jazz, como Jackie McLean e Art Taylor. Pouco depois, já integrava bandas lideradas por nomes fundamentais do bebop, como Bud Powell e Fats Navarro.

Sua participação no álbum The amazing Bud Powell, em 1949, ajudou a consolidar o hard bop, vertente mais intensa e sofisticada do jazz moderno.

Prisão, heroína e a redenção musical

A trajetória brilhante de Rollins também teve períodos turbulentos. O saxofonista chegou a ser preso por roubo à mão armada e enfrentou um grave vício em heroína nos anos 1950. Após conseguir abandonar as drogas, mergulhou ainda mais profundamente na música.

Foi nessa fase que passou a trabalhar com Miles Davis, participando de sessões históricas que originaram discos como Dig, Collectors’ items e Bags’ Groove.

Rollins também compôs “Oleo”, uma das músicas mais importantes da história do jazz, posteriormente gravada por artistas como John Coltrane e Eric Dolphy.

‘Saxophone colossus’ e a imortalidade

Os anos 1950 foram o auge criativo de Sonny Rollins. Em apenas um ano, lançou uma sequência impressionante de discos, culminando em Saxophone colossus, de 1957, considerado sua obra-prima.

O álbum entrou para a história pela capacidade única de Rollins de improvisar com potência, humor e liberdade melódica. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos classificou o disco como uma gravação “cultural, histórica e artisticamente significativa”.

Mesmo assim, o músico costumava minimizar o peso da obra.

“Foi apenas mais uma gravação”, disse décadas depois.

No mesmo período, lançou outro clássico absoluto: Way out west, disco inovador por utilizar uma formação sem piano, algo raro na época. A escolha abriu espaço para improvisações ainda mais livres.

O adeus ao palco

Em 2012, Sonny Rollins realizou seu último show. Dois anos depois, anunciou aposentadoria por causa da fibrose pulmonar, doença que o impediu de continuar tocando.

Mesmo afastado, nunca abandonou a busca pela evolução artística. “Ainda tenho esperança de soar melhor e fazer um disco melhor”, disse em 2020.

Rollins recebeu algumas das maiores honrarias da música, incluindo o Grammy pelo conjunto da obra, a Medalha Nacional das Artes dos Estados Unidos e a homenagem do Kennedy Center.

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