O vereador Salvino Oliveira (PSD) voltou ao plenário na Câmara do Rio nesta terça-feira (17), menos de uma semana após ser preso em uma operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho. Em seu primeiro discurso em plenário após o caso, o parlamentar voltou a afirmar que é inocente e acusou a corporação de atuar sob influência política.
“Não é trivial que um parlamentar seja preso por mensagens enviadas por terceiros. Eu, do fundo do meu coração, jamais imaginei passar por uma situação como essa. Jamais imaginei ver a nossa honrosa Polícia Civil emparelhada por um grupo político e praticando o que fez na minha casa”, declarou.
Salvino disse ainda confiar que conseguirá reverter as acusações. “Foram e continuam sendo momentos de muita tensão, mas eu confio cegamente na Justiça, nas instituições e tenho certeza que minha inocência será provada”, completou.
Vereador exibiu documento para justificar movimentação financeira questionada pela polícia
Durante a fala, Salvino mostrou no plenário um documento que, segundo ele, comprova a origem dos valores apontados como suspeitos pela investigação. De acordo com a Polícia Civil, o vereador teria feito movimentações financeiras atípicas que totalizavam mais de R$ 100 mil, o que foi contestado pelo edil em publicação nas redes sociais e em discurso na Casa.
“Eu trouxe uma cópia do meu extrato bancário, que posso entregar para os jornalistas e mostrar a origem do dinheiro. São R$ 117 mil de um prêmio recebido da ONU para executar um projeto até dezembro, quando tenho que prestar contas desse valor recebido. Fico muito triste que tudo isso esteja acontecendo, principalmente pela justificativa utilizada”, disse Salvino Oliveira.



‘Nunca pensei em me envolver com facções’
Em um discurso marcado por referências à própria trajetória, o vereador destacou ter origem na Cidade de Deus e afirmou nunca ter tido envolvimento com grupos criminosos.
“Superei todos os desafios que a realidade me impôs através da educação. Não tive uma vida fácil: vendi água no sinal, doce no ônibus, me virei como pude, e nem nos piores da minha vida pensei em me envolver com facções criminosas. Não vai ser agora”, sublinhou Salvino, que negou ainda ter negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes da região em troca de liberação para fazer campanha no local nas eleições de 2023, conforme apontado no inquérito policial.
Contexto da prisão
O vereador foi preso na última quarta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil que investiga a suposta ligação de agentes públicos com integrantes do Comando Vermelho. A investigação cita movimentações financeiras consideradas atípicas e suspeitas de atuação política em áreas sob influência do tráfico de drogas.
Dois dias depois da prisão, que azedou de vez a relação entre Eduardo Paes (PSD) e Cláudio Castro (PL) – com direito a denúncia do PSD na Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre suposto ‘uso político’ da prisão -, o vereador foi solto por decisão da Justiça do Rio, mediante habeas corpus. Ele responde ao processo em liberdade, com medidas cautelares.
A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento.





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