Saiba quem é Fernandin OIG, dono de bets que deu carona para Motta e Ciro Nogueira em voo investigado pela PF

Empresário exibiu viagem ao Caribe nas redes; PF apura entrada irregular de bagagens em aeroporto executivo de São Paulo

O empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, voltou ao centro das atenções após uma viagem internacional em jatinho particular entrar na mira da Polícia Federal. Dono da One Internet Group e figura conhecida no mercado de apostas online, ele costuma exibir nas redes sociais uma rotina marcada por viagens de luxo, encontros com famosos e deslocamentos em aeronaves, iates e carros de alto padrão.

A viagem investigada partiu da ilha de São Martinho, no Caribe, e pousou em São Roque, no interior de São Paulo. Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além dos deputados Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Dr. Luizinho (PP-RJ). Segundo reportagem do jornal O Globo, a PF apura a suposta entrada irregular de malas que não passaram pelo raio-x do aeroporto executivo.

Viagem exibida nas redes

No Instagram, onde reúne mais de 1 milhão de seguidores, Fernandin compartilhou imagens da passagem por São Martinho. As postagens mostram passeios em embarcações de luxo, águas cristalinas, piscina privativa, serviço de concierge e cardápio com frios, ostras, lagosta e lanches.

Ele também publicou registros do voo de retorno, incluindo painel com itinerário, altitude, temperatura externa e mapa do trajeto até São Paulo. Essas imagens passaram a ganhar novo peso após a abertura da investigação sobre as bagagens desembarcadas no Aeroporto Catarina.

Segundo a PF, imagens do terminal mostram que um tripulante passou por fora do aparelho de raio-x com volumes não identificados. Os investigadores afirmam, no entanto, que “não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo”.

Apuração chegou ao STF

O inquérito foi aberto em janeiro para apurar possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho atribuídos ao auditor fiscal que permitiu o desembarque das malas sem fiscalização no raio-x.

As imagens de segurança mostram malas, sacolas e uma caixa em um carrinho usado para transporte dos volumes. Como havia parlamentares com prerrogativa de foro entre os passageiros, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal em 13 de abril.

A decisão atendeu a pedido do Ministério Público Federal. No processo, o órgão afirmou que, diante dos elementos colhidos até agora, “não é possível descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais parlamentares nos delitos sob apuração”.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou o processo à Procuradoria-Geral da República na sexta-feira (24), para manifestação em até cinco dias.

Políticos foram questionados

Procurado sobre o voo, Hugo Motta afirmou, por meio de nota, que “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” ao desembarcar. “O deputado aguardará a manifestação da Procuradoria Geral da República”, informou a assessoria.

Ciro Nogueira não se manifestou. Também questionados, Isnaldo Bulhões e Dr. Luizinho não responderam.

Luxo, bets e conexões políticas

A presença de Fernandin OIG em círculos de celebridades e políticos já havia chamado atenção antes da investigação atual. Em setembro de 2024, ele publicou imagens em um iate avaliado em R$ 1 bilhão na Grécia, durante o aniversário do cantor Gusttavo Lima.

Na festa, também estavam o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, sua mulher, Gracinha, o ministro do STF Kassio Nunes Marques e outros empresários ligados ao setor de apostas. Na ocasião, Caiado relatou que partiu dele a determinação para que dois empresários investigados na Operação Integration deixassem o iate.

Fernandin também já publicou registros ao lado de Gusttavo Lima em Goiânia e vídeos recebendo um violão assinado pelo cantor. Em 2024, participou do leilão beneficente do Instituto Neymar Jr., onde arrematou uma chuteira do jogador banhada a ouro 18 quilates por R$ 1,4 milhão.

CPI das Bets e investigação anterior

O empresário também foi alvo da CPI das Bets, instalada no Senado em 2024. A relatora, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), chegou a pedir seu indiciamento por exploração ilegal de jogos de azar, mas o relatório final foi rejeitado pela maioria do colegiado.

No ano passado, a PF também pediu autorização ao STF para investigar conexões entre Fernandin e Ciro Nogueira. Reportagem da revista Piauí apontou que o senador viajou em um jatinho do empresário para a França, onde acompanhou o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1.

A publicação também afirmou que documentos acessados pela CPI das Bets indicavam transferências de Fernandin OIG para um ex-assessor de Nogueira no valor de R$ 625 mil. Na ocasião, o senador disse que se tratava do pagamento de um relógio.

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