Saiba quais as áreas com alto índice de furtos e roubos serão prioridade da nova guarda municipal armada          

Mapeamento revela que apenas 5,5% do território concentram metade dos crimes de rua na cidade

As regiões com os maiores índices de furto e roubo de rua na cidade do Rio de Janeiro serão as primeiras a receber o patrulhamento da Divisão de Elite da Guarda Municipal, prevista para estrear em fevereiro de 2026. A informação foi detalhada nesta sexta-feira (6) pela Prefeitura do Rio, com base no mapeamento das chamadas “manchas criminais”.

A nova força de segurança, anunciada pelo prefeito Eduardo Paes, terá como foco inicial áreas do Centro do Rio, onde a criminalidade tem se concentrado de forma intensa nos últimos anos. Entre os pontos listados como prioritários estão: Campo de Santana, entorno da Central do Brasil, Uruguaiana, Candelária, Largo da Carioca e Avenida Mem de Sá, na Lapa, informa O Globo.

Esses locais, segundo a prefeitura, fazem parte de um território que representa apenas 5,5% da extensão do município, mas que concentra 50% dos roubos e furtos de rua. Os dados foram levantados com base nos registros das delegacias da área central — 1ª DP (Praça Mauá), 4ª DP (Presidente Vargas) e 5ª DP (Mem de Sá).

Somente entre janeiro e abril deste ano, essas três delegacias somaram 1.803 ocorrências de roubo de rua, média de 15 por dia. A campeã de registros foi a 5ª DP, que cobre a região da Central do Brasil, com 974 casos no período. A 1ª DP registrou 546, enquanto a 4ª DP, que atende a Lapa e arredores, contabilizou 283 ocorrências.

O objetivo, segundo Paes, é reforçar a segurança em áreas com grande circulação de pessoas e forte apelo comercial ou turístico, onde os delitos de rua afetam diretamente a sensação de segurança da população. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), da FGV e da PNAD/IBGE indicam que 65% dos cariocas acreditam ter alta ou média chance de serem assaltados com violência nas ruas.

Tecnologia e inteligência territorial

A atuação da nova guarda será baseada em análises constantes dos indicadores de criminalidade, feitas por meio de sistemas como o Quadro de Monitoramento Dinâmico (QMD). A cidade será dividida em Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), e dentro delas os agentes se concentrarão nas chamadas “microáreas quentes” — zonas menores com alta frequência de ocorrências.

As patrulhas serão compostas por duplas de agentes armados, a pé ou em motos, que contarão com câmeras corporais, GPS e comunicação criptografada em tempo real. O planejamento e monitoramento serão realizados por líderes territoriais, que também avaliarão o desempenho dos guardas em reuniões mensais inspiradas no modelo Compstat, de gestão policial.

Foco na presença ostensiva

Embora armada, a Divisão de Elite da Guarda Municipal não terá funções investigativas nem atuará em territórios dominados por facções criminosas. Sua missão é aumentar a presença ostensiva em áreas de alta vulnerabilidade urbana, com foco na prevenção de crimes como furtos e assaltos a transeuntes.

Com esse recorte territorial inicial, a Prefeitura pretende testar o modelo de policiamento urbano com base em dados, visando ampliar a sensação de segurança e a capacidade de resposta a pequenos delitos nas ruas do Rio. A estratégia será revista e ajustada de acordo com a evolução dos indicadores criminais.

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