Pesquisa suspensa pelo TSE sobre Flávio Bolsonaro leva CEO da AtlasIntel a rebater ‘ataques injustos’

Declaração do fundador da AtlasIntel ocorre horas depois da suspensão de levantamento que abordava áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Horas após a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (8), o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, saiu em defesa da empresa e afirmou que o instituto construiu sua reputação ao longo dos anos apesar do que classificou como “ataques injustos”.

A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (8), em meio à repercussão da decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a interrupção da divulgação de um levantamento eleitoral envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Em publicação nas redes sociais, Roman destacou o histórico da empresa e afirmou que a AtlasIntel se consolidou internacionalmente por sua atuação em processos eleitorais ao redor do mundo.

Reação após decisão

Ao comentar as críticas direcionadas ao instituto, Roman declarou que os questionamentos costumam surgir quando os resultados das pesquisas contrariam expectativas de determinados grupos políticos.

Segundo o executivo, a empresa já enfrentou contestações de diferentes espectros ideológicos em diversos países e continuou ampliando sua atuação.

Na mensagem publicada na rede social X, o CEO afirmou que a reputação da AtlasIntel foi construída gradualmente e que a empresa saiu fortalecida de episódios anteriores de contestação.

Pesquisa virou alvo de ação

A controvérsia envolve um levantamento divulgado em maio pela AtlasIntel que reproduziu, durante o questionário, um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro enviado ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Na gravação, divulgada anteriormente pela imprensa, o senador solicita apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Partido Liberal contestou a metodologia utilizada e acionou a Justiça Eleitoral, alegando que a inclusão do conteúdo poderia influenciar as respostas dos entrevistados e induzir o eleitor a determinadas conclusões.

Como funciona a metodologia

A AtlasIntel utiliza pesquisas realizadas pela internet, recrutando participantes por meio de anúncios digitais distribuídos em sites e plataformas online.

Uma das características da metodologia é permitir que o entrevistado navegue livremente pelo formulário, podendo revisar e alterar respostas durante o preenchimento.

Especialistas do setor observam que esse formato busca captar reações mais reflexivas dos participantes diante de temas políticos e acontecimentos recentes, diferenciando-se de levantamentos tradicionais realizados por telefone ou entrevistas presenciais.

O que diz a AtlasIntel

Após a decisão do TSE, a empresa informou que cumprirá a determinação judicial e seguirá colaborando com a Justiça Eleitoral.

A AtlasIntel também negou que tenha ocorrido indução dos entrevistados. Segundo o instituto, as perguntas principais da pesquisa já haviam sido concluídas antes da exposição dos participantes ao conteúdo relacionado a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

De acordo com a empresa, o áudio foi apresentado apenas em uma etapa complementar e voluntária da pesquisa, por meio da ferramenta Atlas VRC, utilizada para medir reações a conteúdos audiovisuais.

Decisão vai ao plenário

Na decisão cautelar, o ministro Kassio Nunes Marques determinou que a AtlasIntel suspenda qualquer nova divulgação, republicação, impulsionamento ou manutenção do levantamento nos canais oficiais da empresa até nova análise da Corte.

O caso ainda será submetido ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que decidirá se mantém ou revoga a medida.

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