O ministro do Turismo, Celso Sabino, decidiu permanecer no cargo e enfrentar o processo de expulsão movido contra ele pelo União Brasil, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. A decisão deve ser comunicada oficialmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima terça-feira (7).
No dia anterior, Sabino apresentará ao governo uma pesquisa sobre a percepção popular em relação à COP30, conferência climática da ONU que ocorrerá em Belém, capital do Pará, estado de origem do ministro.
Conflito com o partido
Em 18 de setembro, o União Brasil determinou que todos os seus filiados entregassem os cargos no governo federal. Desde então, Sabino vinha adiando a decisão de deixar o posto. A resistência se explica pelo projeto político do ministro: ele pretende disputar uma vaga no Senado pelo Pará no próximo ano e vê no ministério uma vitrine estratégica para fortalecer seu nome.
Além disso, Sabino argumenta que não poderia deixar a pasta a apenas um mês do evento climático, que terá repercussão mundial e acontecerá justamente em seu estado.
Trunfo para Lula
Para o presidente Lula, a permanência do ministro representa também um cálculo político. O Planalto avalia que a dissidência aberta por Sabino enfraquece a estratégia do União Brasil, cuja direção nacional sinaliza apoio a um candidato de oposição em 2026, preferencialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nos últimos dias, Sabino reforçou sua proximidade com Lula ao acompanhá-lo em diversas agendas no Pará, na quinta-feira (2) e na sexta-feira (3). Segundo interlocutores, o ministro destacou os sucessivos gestos de prestígio do presidente como fator determinante para sua decisão.
Expulsão em curso
O União Brasil já abriu processo de expulsão contra Sabino, mesmo depois de um acordo que previa sua saída do ministério somente após o fim da viagem presidencial ao Pará. O gesto endureceu a posição do ministro. Aliados dele, por sua vez, defendem a convocação de uma convenção partidária para ouvir lideranças estaduais e regionais antes de qualquer decisão definitiva sobre o desembarque do partido do governo.
Comparações internas
Outro argumento usado por Sabino é a diferença de tratamento dentro da federação partidária. O Progressistas (PP), parceiro do União Brasil, tem adotado postura mais flexível em relação ao ministro do Esporte, André Fufuca. Apesar da diretriz, o partido não deve expulsá-lo caso permaneça no governo. A tendência hoje é de que Fufuca siga à frente da pasta, reforçando o discurso de Sabino contra uma punição isolada a ele.
Com a proximidade da COP30, a disputa pelo destino do ministro do Turismo promete se tornar não apenas uma questão interna do União Brasil, mas também um fator de impacto direto nas articulações políticas do governo Lula e no xadrez eleitoral de 2026.






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