Romário anuncia apoio ao fim da escala 6×1 e rompe com proposta alternativa do PL

Senador do Rio de Janeiro retira assinatura de texto defendido por aliados bolsonaristas e declara voto favorável à PEC que reduz a jornada de trabalho

O senador Romário (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (3) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A decisão marca um distanciamento da posição adotada por parte do Partido Liberal (PL), que vinha apoiando uma proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

A proposta defendida por Marinho sugere uma flexibilização das regras trabalhistas, permitindo que trabalhadores optem entre o modelo tradicional previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um sistema baseado na quantidade total de horas trabalhadas.

Inicialmente, Romário figurava entre os parlamentares que assinaram a PEC alternativa. No entanto, o senador decidiu retirar seu apoio formal ao texto e comunicou a decisão por meio de um ofício enviado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

“Diante das dúvidas e interpretações geradas em relação à PEC nº 12/2026, entendo ser necessário retirar minha assinatura da proposta, a fim de reafirmar a coerência do posicionamento que venho sustentando perante a população brasileira e preservar o amplo debate sobre medidas que efetivamente contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores”, afirmou o senador.

Mudança de posição após repercussão da proposta

Em publicação nas redes sociais, Romário explicou que reavaliou o conteúdo da proposta alternativa após acompanhar a reação de trabalhadores e apoiadores da pauta.

Segundo o parlamentar, a interpretação predominante entre a população era de que o texto poderia representar prejuízos aos trabalhadores. Diante desse cenário, ele optou por retirar sua assinatura e manifestar apoio à PEC que busca extinguir a escala 6×1.

“Depois de analisar melhor a proposta, entendi que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido eu continuar nela”, declarou.

A mudança de posicionamento ocorreu em meio à pressão de defensores da redução da jornada de trabalho, entre eles o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo, que cobrou publicamente uma definição do senador ao longo do dia.

Debate sobre jornada de trabalho provoca divergências no PL

A discussão em torno do fim da escala 6×1 tem provocado divergências dentro da bancada bolsonarista e do próprio Partido Liberal.

A proposta chegou ao Senado após gerar desconforto entre parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Na semana anterior, integrantes da legenda precisaram rever sua estratégia e anunciar apoio ao projeto, apesar das críticas feitas anteriormente.

Até então, parte dos parlamentares conservadores avaliava que a pauta poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformando-se em um ativo eleitoral para o governo.

Com o avanço das discussões no Congresso Nacional, a PEC do fim da escala 6×1 segue mobilizando parlamentares, trabalhadores e representantes do setor produtivo, tornando-se um dos principais temas da agenda política e trabalhista de 2026.

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