Rogério de Andrade dava folga e até aumento salarial a policiais da sua escolta, diz MP

Investigações, que resultaram na prisão de 15 servidores públicos, indicam que bicheiro gastava R$ 207 mil mensais só com segurança pessoal.

Os policiais acusados de fazer a escolta de Rogério de Andrade, preso desde outubro de 2024, tinham escala, salário, folgas e até aumentos, diz o Ministério Público. O contraventor gastava R$ 207 mil mensais só com segurança pessoal, indicam as investigações.

Uma operação do MP nesta terça-feira (10) resultou na prisão de 15 PMs e policiais penais acusados de fazer parte do esquema. Na ação, que contou com o apoio da Corregedoria da PM e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva.

Na ação, foi apreendida uma carabina com silenciador na casa do subtenente da PM Moacir Rosa dos Santos Júnior, um dos presos. Os suspeitos respondem por organização criminosa armada e corrupção. A Justiça os afastou de suas funções e suspendeu o porte de arma deles. Quatro dos investigados são considerados foragidos.

Os servidores públicos presos são suspeitos de atuar em pontos do jogo do bicho em Bangu, Zona Oeste do Rio, um dos redutos sob o domínio do bicheiro. As investigações inclusive indicaram as funções exercidas pelos agentes suspeitos de integrar o grupo criminoso.

Os suspeitos também recolhiam dinheiro nos pontos de jogo do bicho para fazer a entrega dos valores arrecadados no escritório de Rogério de Andrade na Barra da Tijuca. Integrantes do grupo criminoso também é acusado de pagar propina nos batalhões da PM onde trabalhavam.

Segundo o MP, os investigados trabalhavam na Subsecretaria de Gestão de Pessoas e nos batalhões da PM de São Cristóvão, Tijuca, Leblon, Complexo da Maré, Irajá, Bangu e Vias Expressas.

A Polícia Civil, a PM e a Seap disseram que vão abrir processos internos contra os suspeitos.

‘Encomenda, café e suco’: os termos cifrados para pagar propina

O grupo usava as expressões “encomenda”, “café” e “suco” para se referir ao pagamento de propina nos batalhões, indica o MP.

Um dos trechos da denúncia encaminhada à Justiça mostra que dois dos acusados, o PM Ademir Rodrigues Pinheiro e o policial civil aposentado Francisco Carlos Cardozo “marcaram diversos encontros com o objetivo cifrado de beberem ‘café’ ou ‘suco’ juntos, pretextos para acertarem o pagamento da propina fixa destinada a policiais civis corruptos da 35ª DP’”.

O PM Ademir Rodrigues Pinheiro, apontado pelas investigações como coordenador da segurança de Rogério de Andrade, ganhava R$ 50 mil. “Desde que assumi a liderança do nosso grupo, já consegui aumentar o salário de sete pessoas do grupo e ainda quero fazer mais”, explicou o policial em mensagem.

Em outra troca de mensagens, Washington Ferreira dos Santos diz a Ademir que entregue uma “encomenda” ao patrão, em referência a Rogério de Andrade.

Em outra conversa, o policial Sergio Luiz Pereira Ferreira pede dispensa na escala da contravenção. “Amanhã é meu aniversário e eu iria comemorar no meu barracão somente à noite. Seria possível ser dispensado? Se não der tá tranquilo”, pede. “Ok, está dispensado”, responde Ademir.

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