A condenação dos irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Cordeiro, sentenciados nesta sexta-feira (17) a mais de 31 anos de prisão pela execução do contraventor Fernando Iggnácio, encerrou a etapa de julgamento dos acusados apontados como executores diretos do crime. Agora, a atenção da Justiça se volta para o bicheiro Rogério Andrade, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como mandante do homicídio.
Rogério responde em um processo separado e permanece preso em um presídio federal, enquanto aguarda uma decisão da Justiça sobre sua eventual submissão ao Tribunal do Júri.
Executores já foram condenados
Com a decisão desta sexta-feira (17), todos os acusados de participação direta na execução de Fernando Iggnácio já receberam condenação.
Além dos irmãos Pedro e Otto, o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves também foi condenado, em abril deste ano, a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo assassinato ocorrido em novembro de 2020, no heliponto do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.
Outro investigado, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa e apontado como matador de aluguel, morreu em novembro de 2022 antes de ser julgado.
Rogério Andrade aguarda decisão da Justiça
Segundo a denúncia do Ministério Público, Rogério Andrade teria determinado a execução do rival Fernando Iggnácio.
A acusação sustenta que o bicheiro transmitiu as ordens ao então chefe de sua segurança, Márcio Araújo de Souza, por meio do aplicativo criptografado Wickr. Nas mensagens analisadas pela investigação, Fernando Iggnácio era identificado pelo codinome “Cabeludo”.
Rogério foi preso em outubro de 2024 após o avanço das investigações. Em novembro do mesmo ano, foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde permanece custodiado. Pedidos de liberdade apresentados por sua defesa foram negados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ministério Público e as defesas já apresentaram as alegações finais no processo. Agora, caberá ao juiz decidir se Rogério Andrade será pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri.
Ex-PM é acusado de monitorar a vítima
No mesmo processo responde o ex-policial militar Gilmar Eneas Lisboa.
Segundo a investigação, ele monitorou Fernando Iggnácio durante vários meses antes do assassinato, principalmente na região de Angra dos Reis, de onde a vítima partiu de helicóptero no dia do crime.
Conforme o Ministério Público, Gilmar enviava imagens, vídeos e informações detalhadas sobre a rotina da vítima. Nas investigações, ele era identificado pelo codinome “Tribidi”.
Assim como Rogério Andrade, Gilmar também aguarda decisão da Justiça sobre a possibilidade de ser levado a júri popular.
Chefe de segurança recorre da decisão
Outro investigado é Márcio Araújo de Souza, apontado como chefe da segurança de Rogério Andrade.
De acordo com o Ministério Público, ele teria sido responsável por contratar os executores e coordenar toda a logística do homicídio.
Márcio foi pronunciado pela Justiça em outubro de 2025 para ser submetido ao Tribunal do Júri. No entanto, sua defesa apresentou recursos e embargos de declaração, o que adiou a realização do julgamento.
Enquanto aguarda uma decisão definitiva, ele responde ao processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de deixar o país.
Crime marcou disputa entre contraventores
Fernando Iggnácio foi morto em 10 de novembro de 2020, logo após desembarcar de helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes.
A investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil concluiu que o crime foi resultado de um planejamento iniciado meses antes, com monitoramento da rotina da vítima e troca de mensagens criptografadas entre os investigados.
Com a condenação dos executores, os processos agora caminham para uma nova fase, que poderá definir a responsabilidade dos acusados apontados como mandantes e responsáveis pela organização da execução.






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