O 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, nesta sexta-feira (17), os irmãos e ex-policiais militares Pedro Emanuel D’Onofre Andrade e Otto Samuel D’Onofre Andrade pelo homicídio triplamente qualificado do bicheiro Fernando Iggnácio, assassinado em novembro de 2020. As penas foram fixadas em 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão para Pedro e 31 anos, 5 meses e 6 dias para Otto. A defesa informou que recorrerá da decisão.
Juiz destaca atuação de ex-PM
Na sentença, o juiz Thiago Portes afirmou que Pedro D’Onofre utilizou a experiência adquirida na Polícia Militar para colaborar com a organização criminosa. Segundo a decisão, ele participou do levantamento de informações, monitorou a vítima e fez o reconhecimento do local onde o assassinato foi executado, utilizando conhecimentos técnicos para garantir o êxito da ação criminosa.
MP apontou ligação entre policiais e contravenção
Durante o segundo dia do julgamento, o Ministério Público sustentou que o crime contou com a participação de policiais militares cooptados pela contravenção. A promotora Andréa Fava afirmou que a atuação de agentes públicos em favor da organização criminosa representa um dos aspectos mais graves do caso.
Segundo a acusação, além dos irmãos condenados, outros ex-policiais também foram apontados como integrantes da estrutura responsável pelo assassinato. O MP citou ainda que Rogério Andrade, acusado de ser o mandante do crime em processo separado, teria contado com apoio de pessoas ligadas às forças de segurança.
Defesa contestou provas
Os advogados dos réus afirmaram aos jurados que as provas reunidas pela investigação eram insuficientes para uma condenação. A defesa classificou a acusação como uma “colcha de retalhos”, criticou a condução das investigações e negou qualquer vínculo dos irmãos com Rogério Andrade.
Os defensores também alegaram problemas na produção das provas e solicitaram o reconhecimento da inimputabilidade de Pedro D’Onofre por suposta insanidade mental, pedido que acabou rejeitado pela Justiça. Após a condenação, a defesa confirmou que pretende recorrer da sentença.
Investigação apontou planejamento do crime
Durante o julgamento, testemunhas detalharam o trabalho investigativo realizado pela Delegacia de Homicídios. O delegado Moysés Santana afirmou que Pedro D’Onofre realizou um voo de helicóptero três dias antes do assassinato para reconhecer o trajeto percorrido por Fernando Iggnácio.
Segundo a investigação, o ex-PM repetiu exatamente o percurso que seria feito pela vítima dias depois, entre Ilha Grande e a empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, onde o bicheiro foi executado em 10 de novembro de 2020.
Relatórios de análise telemática apresentados no júri também indicaram que o planejamento do homicídio teria começado meses antes do crime. Imagens armazenadas em contas digitais e registros de celulares reforçaram a conclusão de que houve monitoramento prévio da vítima e preocupação dos investigados em verificar possíveis câmeras de segurança após a execução.
Caso segue com outros processos
O julgamento dos irmãos foi desmembrado do processo que condenou, em abril deste ano, o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves pelo mesmo homicídio.
Já o bicheiro Rogério Andrade, apontado pelas investigações como mandante da execução de Fernando Iggnácio, responde em processo separado. Preso desde outubro de 2024, ele teve pedidos de liberdade negados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e permanece custodiado enquanto aguarda julgamento.






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