No estado do Rio de Janeiro, 2,8 milhões de pessoas passam fome e 60% da população sofre insegurança alimentar – o que significa algum tipo de privação de acesso a comida. É resultado de pesquisa, que mostra que este drama dobrou de tamanho de quatro anos pará cá, coincidindo com o governo Bolsonaro.
A reportagem é do jornal O Globo, segundo a qual é enorme o número de pessoas, na maioria mulheres, que hoje cata restos de comidas, por vezes estragada, nos lixos da Ceasa e de outros mercado.
Divulgado ontem, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da Rede PENSSAN, mostra que 38,58% das famílias chefiadas por mulheres enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave.
O percentual é menor, ainda que dramático, naquelas em que o homem é o responsável por custear as despesas da casa: 28,2%.
A “Agenda Rio 2030 — propostas por justiça econômica, racial, de gênero e climática”, da Casa Fluminense (associação civil sem fins lucrativos que busca, entre outros, fomentar ações voltadas à promoção de igualdade), vai na mesma linha.
A entidade é categórica ao afirmar que, em mais um ano de pandemia que acirrou desigualdades, “diversas organizações identificaram que as maiores vítimas da fome e da pobreza são, ainda, as mulheres (cis e trans), pretas, pardas, pobres e moradoras de favelas e periferias”.
Técnicos da Casa Fluminense calculam, por exemplo, o peso do custo de vida mensal no Estado do Rio para uma mulher chefe de família que recebe um salário mínimo (cujo piso no estado é de R$ 1.238,11) na ocupação de empregada doméstica.
Se ela depende do transporte ferroviário para ir ao trabalho e voltar para casa, por exemplo, vai desembolsar no mínimo R$ 210 com duas passagens por dia (21 dias úteis), isso sem contar com outros meios de transporte para chegar à estação.
Já com a cesta básica, segundo dados do Dieese para abril de 2022, ela gastará R$ 768 e, com o botijão de gás, R$ 100, podendo chegar a R$ 125, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para maio de 2022. No fim, sobrariam apenas R$ 160,11 para todas as demais despesas, como habitação, educação, saúde e lazer, numa conta que não fecha.
O mais recente estudo da FGV Social sobre a insegurança alimentar no Brasil chega a apontar a “feminização” da fome. Entre 2019 e 2021, o levantamento identificou que aumentou de 33% para 47% a parcela das mulheres no país que não tiveram dinheiro para alimentar a si ou a sua família em algum momento nos últimos 12 meses. Já entre os homens, houve uma redução, de um ponto percentual, de 27% para 26%. “A pandemia impactou mais as mulheres que foram mais afetadas no mercado de trabalho, possivelmente porque carregam, em geral, responsabilidade maior no cuidado dos filhos e da família, atividade relativamente mais demandada durante o isolamento social. Essa possível causa para a feminização da fome magnifica suas consequências para o resto da sociedade, em particular, as crianças”, afirma o documento.






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