O espaço vazio nos escritórios do Rio de Janeiro registrou uma queda no primeiro trimestre de 2025, marcando um momento importante no mercado imobiliário corporativo da cidade. A ausência de novos lançamentos e o aumento da demanda por espaços, especialmente dos setores público, de energia e jurídico, foram determinantes para essa mudança, conforme aponta um estudo da Colliers, firma internacional de serviços imobiliários.
Segundo o levantamento da Colliers, publicado pela coluna Capital, de O Globo, a taxa de vacância (espaços desocupados) nos escritórios da cidade caiu de 25% para 24% entre janeiro e março de 2025. Em contrapartida, a JLL, outra consultoria especializada, estima que a taxa de vacância ficou em 29,4%, o que representa a menor marca da última década e o primeiro índice abaixo de 30% desde 2015. Em 2021, a taxa atingiu seu pico, alcançando 38,1%, evidenciando o cenário difícil enfrentado pelo mercado imobiliário no passado.
No entanto, a boa notícia vem acompanhada de desafios, principalmente para o Centro do Rio, que continua sendo a área mais afetada pela vacância. A região concentrou 70% da área devolvida por inquilinos durante o período analisado, resultando em um acréscimo de 7,2 mil metros quadrados de espaço vago. Apesar disso, o Centro também teve o maior volume de locações no primeiro trimestre, com um total de 8,5 mil metros quadrados absorvidos, conforme a Colliers. O bairro, tradicionalmente afetado pela vacância, agora mostra sinais de recuperação.
A CEO da Colliers, Paula Casarini, destaca que o movimento no Centro já era esperado pelo mercado, dada a baixa oferta de novos empreendimentos em outras regiões. “A tendência é que a ocupação dessa área se intensifique a partir deste ano, tendo em vista a qualidade do inventário construído, a infraestrutura e as vias de acesso, que a tornam uma escolha viável e atrativa”, afirmou Casarini, apontando o Centro como a grande estrela do ano no mercado corporativo do Rio.
A Cidade Nova, região vizinha ao Centro, também se destacou, com um saldo positivo de 4,3 mil metros quadrados, o maior do trimestre. Esse desempenho sugere que as áreas mais centrais do Rio, tradicionalmente marginalizadas em favor de zonas como a Barra da Tijuca, podem estar vivendo um renascimento no mercado corporativo. Por outro lado, a Barra registrou um saldo positivo de 1,9 mil metros quadrados, mas ainda não alcançou o desempenho das regiões mais centrais.
Outro fator relevante foi a atuação do setor público. A JLL estima que o Governo do Estado foi responsável por 74% das absorções no mercado de alto padrão, com destaque para a locação de 16,8 mil metros quadrados no Presidente Business Center, na Cidade Nova, que se tornou a maior locação registrada no ano.
A área conhecida como Orla, que abrange bairros como Flamengo, Botafogo e Glória, também registrou um saldo positivo nas locações, com um acréscimo de 860 metros quadrados. Com uma taxa de vacância abaixo de 7%, a região se apresenta como uma alternativa para empresas que buscam espaços mais acessíveis e bem localizados.
O mercado imobiliário corporativo do Rio, portanto, começa a mostrar sinais de recuperação, impulsionado pela demanda por espaços de qualidade e pela escassez de opções em algumas áreas. O Centro, com sua infraestrutura e localização estratégica, parece estar experimentando uma renovação, o que pode representar uma mudança significativa para o futuro próximo do mercado de escritórios na cidade.





