A partir do próximo dia 14 de maio, o cotidiano dos cariocas será atravessado por uma intervenção artística que convida à reflexão sobre o uso excessivo da tecnologia, informa Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O GLOBO. Trata-se de “Primórdios digitais”, projeto do artista visual Beto Gatti que levará cinco esculturas monumentais a diferentes pontos do Rio de Janeiro.
Com até dois metros de altura e produzidas em bronze, as obras mesclam traços de primatas e figuras humanas, em cenas marcadas por comportamentos contemporâneos mediados por telas, câmeras e dispositivos de realidade virtual. A proposta é provocar o público a repensar a dependência tecnológica e o impacto desse hábito sobre as relações humanas.
As figuras criadas por Gatti retratam um paradoxo: seres primitivos em atitude contemplativa, porém submersos em gadgets do século XXI. Com isso, o artista convida a cidade a refletir sobre o que se perdeu em meio à hiperconectividade.
“A ideia é usar o espaço urbano como plataforma de diálogo sobre como nos relacionamos com a tecnologia. Estamos mais conectados do que nunca, mas também mais isolados”, diz Beto Gatti, que assina a curadoria e a concepção da intervenção.
Arte nas ruas do Rio
As esculturas ficarão expostas em locais de alta circulação, integrando um circuito estratégico pela cidade. Três delas estarão na Zona Sul: na Rua Dias Ferreira, no Leblon; no calçadão da praia, em frente à Rua José Linhares; e às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na altura do Corte do Cantagalo. A Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, também receberá uma das peças.
O quinto ponto do circuito é o Aeroporto Internacional do Galeão, onde a escultura “Saudade” já está instalada desde o ano passado e agora será incorporada oficialmente à ação urbana. A obra mostra uma figura melancólica, curvada sobre um celular, simbolizando a distância emocional provocada pelo excesso de conexões digitais.
Arte como alerta urbano
Com “Primórdios digitais”, Beto Gatti amplia seu repertório de intervenções em espaços públicos, sempre guiado pela provocação visual e pelo desejo de transformar o ambiente urbano em local de diálogo estético e crítico.
O artista, que já realizou trabalhos em cidades como Nova York, Miami e São Paulo, pretende com esta série aproximar arte contemporânea e debate social. Segundo ele, os primatas-humanos de bronze funcionam como “espelhos públicos”, forçando quem passa a se reconhecer — ou se incomodar — com os gestos automatizados e a desconexão emocional típica da era digital.
A exposição é gratuita e aberta ao público, funcionando como um museu a céu aberto que insere questões urgentes no fluxo diário da cidade.





