A Câmara do Rio aprovou nesta quarta-feira (26), em primeira discussão, um projeto de lei que cria um programa de sessões gratuitas de cinema infantil em equipamentos culturais da cidade. A proposta, de autoria do vereador Leniel Borel (PP), prevê exibições mensais em centros culturais, lonas e espaços públicos, priorizando filmes nacionais e conteúdos educativos.
O projeto tem foco em regiões onde a oferta cultural é mais escassa — principalmente em áreas menos abastadas da cidade, onde mora a maior parte da população, nas zonas Norte e Oeste. Na justificativa, o autor cita dispositivos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Marco Legal da Primeira Infância, que garantem, entre várias outras coisas, o direito ao acesso à cultura.
“Cinema não é luxo, e sim uma potente ferramenta de desenvolvimento. Muitas crianças aqui mesmo da cidade do Rio nunca sequer pisaram numa sala de exibição e não podem depender só da escola para ampliar o olhar sobre o mundo”, afirmou Leniel Borel.
A proposta ainda precisa passar por segunda votação antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes (PSD).
Projeto toca num problema antigo do Rio
A iniciativa surge num momento em que o acesso ao cinema no Rio passa por um debate público renovado por conta da falta de acesso mais robusto em áreas menos abastadas. No mês passado, o Agenda do Poder publicou reportagem exclusiva que demonstrou a concentração das salas ao longo do eixo Centro–Zona Sul e a progressiva perda de cinemas na Zona Norte e na Zona Oeste — áreas mais populosas e de menor renda.
Como mostrou a matéria, bairros como Guadalupe e Ramos perderam salas nos últimos anos. O shopping de Guadalupe, por exemplo, fechou seu cinema recentemente, deixando a região sem uma opção acessível de exibição comercial. Já equipamentos históricos, como o Cine Rosário, que já viveu momentos de glória na região da Leopoldina, seguem fechados ou abandonados.
A consequência é um mapa de acesso desigual: muitas vezes, grande parte dos cariocas precisa atravessar a cidade para ver um filme no telão, enfrentando deslocamentos e custos que transformam o lazer em privilégio territorial.






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