No último mês, o ilustre e tradicional prédio do Cine Odeon deu espaço ao Festival do Rio, na Cinelândia, evento de projeção nacional que reúne obras e olhares sobre o cinema contemporâneo. Entre as estrelas presentes e debates sobre a cena cinematográfica, a mostra também tocou numa antiga questão: a centralização do cinema no coração da cidade, acompanhada pela pergunta que atravessa décadas. Quem tem acesso à experiência de ver um filme no trecho além da Zona Sul e Central do Rio?

Para compreender o cenário, Agenda do Poder ouviu especialistas e espectadores. Primeiro, é preciso retroceder à chegada da sétima arte no Brasil. O Rio de Janeiro, no fim do século XIX, recebeu a “estreia”. Na ocasião, o estado funcionava como a capital cultural da pátria e as primeiras exibições de imagens animadas ocorriam em bares e teatros improvisados, no entorno da Rua do Ouvidor e da recém-aberta Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco.

Ali, o público se reunia para ver curtas estrangeiros, acompanhados de orquestras e números de mágica.

“O centro já experimentava uma profusão de lazeres urbanos. Com a sofisticação do mercado exibidor, surgiram outros modelos de sala, como os palácios do cinema voltados a filmes grandiosos, musicais e produções em grande escala, o que exigia espaços maiores”, explica a professora e pesquisadora Talitha Ferraz, do Programa de Pós-Graduação de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O cinema, ainda embrionário, compartilhava o palco com o encanto do espetáculo ao vivo. A virada veio nas primeiras décadas do século XX, quando o empresário espanhol Francisco Serrador enxergou no Centro da cidade o terreno fértil para um projeto ambicioso: transformar o Rio em uma “Broadway brasileira”.

Estátua em homenagem ao empresário Francisco Serrador | Crédito: Gabriel Mattos/ Agenda do Poder

Sobre cafés e cinemas

“O Serrador já era empresário do entretenimento, fazia viagens recorrentes aos Estados Unidos e tinha o sonho de criar um polo de diversões que não seria apenas voltado ao consumo cinematográfico, mas também teria cafés e espaços de socialização, algo muito em voga no início do século XX”, detalha Talitha.

Serrador arrendou terras na Praça Floriano, onde funcionara parte de um antigo convento e, com apoio de outros investidores, ergueu o que se tornaria o coração cinematográfico do país. O conjunto, que incluía cafés e espaços de convivência, reunia as primeiras grandes salas de exibição do Brasil, inspiradas nos luxuosos movie palaces norte-americanos: teatros monumentais com cortinas vermelhas, lustres de cristal, decoração art déco e capacidade para mais de mil espectadores.

“No final, não saiu exatamente como ele queria, mas ele foi o grande idealizador desse lugar que depois ficou conhecido como Cinelândia justamente por abrigar as primeiras grandes salas”, destaca a professora.

Um desses palácios ainda resiste: o Cine Odeon, instalado no Edifício Serrador, ícone do centro. Durante as décadas seguintes, cada quarteirão da praça abrigava um cinema, entre eles, o Capitólio, o Glória, o Rex e o Pathé. Os espaços consolidaram a Cinelândia como símbolo de glamour, modernidade e sociabilidade.

Cinema Odeon em 1920 | Crédito: Arquivo Nacional / Luciano Ferrez

“A Cinelândia foi o lugar do centro do Rio que se tornou grande polo exibidor e de atração de público, antenado com a última moda do que se tinha em cinematografia”, diz a pesquisadora.

O ambiente refletia o espírito da Belle Époque carioca: a reforma urbana do prefeito Pereira Passos havia modernizado o centro, abrindo bulevares e confeitarias elegantes. Ir ao cinema tornou-se não apenas um ato de lazer, mas uma experiência social da vida noturna carioca que funcionava como uma vitrine onde as pessoas iam “ver e ser vistas”.

Cine Pathé foi inaugurado na Avenida Central e posteriormente o Palácio Pathé erguido na Cinelândia, em 1928 – Crédito: GuarAntiga

Os cinemas além do centro

Mas o cinema não se limitou à Cinelândia. Com o avanço das ferrovias e a expansão residencial, o subúrbio também ganhou suas telas. Exibições itinerantes percorriam bairros da Zona da Leopoldina, na Zona Norte, muitas vezes organizadas por empreendedores locais fascinados pela nova arte.

“A primeira exibição de imagens animadas em toda a região suburbana ocorreu aos pés da Igreja da Penha, em uma festa no alto da igreja, realizada por outro grande empreendedor do cinema, Pascoal Segreto”, recupera a pesquisadora.

Na Zona da Leopoldina, o empresário Domingos Vassalo Caruso tornou-se uma espécie de “benfeitor dos subúrbios”. Além de erguer cinemas em Ramos, Olaria, Penha e Bonsucesso, foi responsável por levar iluminação elétrica a trechos inteiros desses bairros, o que rendeu uma fama de “subprefeito”. Suas salas, inspiradas nos grandes palácios do centro, ajudaram a formar uma cultura cinematográfica local viva, acessível e pulsante.

Talitha Ferraz, professora e autora do livro A segunda Cinelândia carioca (2012) | Crédito: Gabriel Mattos/ Agenda do Poder

“Esses cinemas eram muito importantes para o circuito de distribuição, com filmes estrangeiros e brasileiros, em regiões que não estavam no circuito mais famoso da Cinelândia e Zona Sul”, observa Talitha.

Na Zona Oeste, salas menores surgiram em bairros como Bangu e Campo Grande, acompanhando o avanço urbano e o crescimento populacional. A Baixada Fluminense também teve suas telas, ainda que em menor número. “Não era difícil morar em um lugar e ter a possibilidade de entrar em um cinema com letreiros voltados para as calçadas de ruas e praças”, recorda a pesquisadora.

“Em bairros como Méier e Madureira havia muitos cinemas próximos uns dos outros, com núcleos que concentravam oferta de telas para consumidores que iam se informar e se divertir, em uma época sem televisão.”

A era de ouro da Tijuca

Na Zona Norte, a Tijuca viveu seu próprio apogeu cinematográfico. Nas décadas de 1940 e 1950, o bairro se consolidou como um dos maiores polos exibidores do país e chegou a superar até mesmo a Cinelândia em número de salas.

A Tijuca chegou a ter, funcionando ao mesmo tempo, mais salas do que a própria Cinelândia.

Talitha Ferraz

“Em determinados períodos, funcionaram simultaneamente onze ou doze cinemas de forma contínua. Se considerarmos também as primeiras experiências em espaços improvisados, esse número passa de vinte.”

Cineteatro Olinda, na Tijuca, em 1971 – Crédito: Arquivo Nacional

Os cinemas da Tijuca como o América, o Carioca e o Olinda, tornaram-se pontos de referência cultural. O bairro chegou a abrigar uma das quatro salas da famosa produtora Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) no Brasil, conhecida pela figura do leão. O Metro Tijuca ficava instalado onde hoje funciona uma loja de departamento na Praça Saens Peña.

“Isso dá a dimensão da importância do bairro, também por causa da Praça Saens Peña, que reunia bares e cinemas. Ao andar por ali se via letreiros, pipoqueiros, filas, o que promovia outra ocupação urbana e uma paisagem específica.”

A cena tijucana era um retrato da efervescência cultural carioca: os cinemas transformavam o bairro em um espaço de convivência, de encontro e de pertencimento. Ver um filme era também participar da vida social que acontecia: encontrar vizinhos, paquerar, dividir o riso e o espanto diante da tela. “Mesmo que a pessoa não entrasse no cinema, estava imersa naquele ambiente de lazer”, completa a pesquisadora.

O começo do fim e a domesticação do cinema

A partir da década de 1970, porém, esse cenário começou a mudar. A televisão levou o audiovisual para dentro de casa, num fenômeno conhecido como “domesticação” do cinema. Já o mercado exibidor passou a se reorganizar. As antigas salas de mil lugares começaram a ser divididas em duas, três ou quatro para compensar os custos e ampliar o número de sessões diárias. A cidade, cada vez mais motorizada e cara, começou a abandonar o hábito de circular pelas ruas.

“O Rio de Janeiro é uma cidade espremida entre a montanha e o mar, o metro quadrado é caro, há especulação imobiliária, violência urbana e novos modelos de transporte e lazer”, analisa Talitha. “As pessoas passam a circular menos nas ruas por várias motivações, a cidade se motoriza e determinadas regiões se transformam. Tudo isso influencia a mudança do perfil das salas e essa espécie de fuga do cinema da rua para espaços fechados.”

O resultado foi o desaparecimento gradual de um patrimônio urbano e afetivo. “Em cidades pequenas, perder o único cinema de rua significa perder um espaço com forte relação com a identidade cultural do bairro.”

Mesmo com o crescimento da produção nacional e o avanço das políticas públicas regionais, o circuito exibidor e mídia especializada, as distribuidoras e os festivais continuaram fortemente ancorados no eixo Rio–São Paulo, explica a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ivana Bentes.

Uma característica do Rio é a cinefilia forte e um público formado com gosto plural, moldado por salas de rua, cineclubes e cinemas de arte como o Estação Net Rio, o Estação Net Botafogo, o Cine Santa Teresa, o Cine Odeon e o CineCarioca. Ainda assim, mais de 90% dos municípios brasileiros não possuem salas de cinema, o que limita a circulação de filmes nacionais, inclusive produções premiadas

Essa seletividade apresenta um déficit físico que também gera um déficit simbólico: sem salas, não há visibilidade, formação de público nem crítica local. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em agosto de 2025 cerca de 11,2% do público que foi ao cinema assistiu a filmes nacionais, frente a apenas 1,4% no mesmo período de 2023. Mas não por falta de interesse.

Produções aumentam, circulação…nem tanto

O salto também aparece nas sessões ocupadas por produções nacionais, que subiram de 4% para 14,1%. O aumento acompanha a visibilidade de obras brasileiras indicadas ao Oscar, como Ainda estou aqui (2024) premiadas em grandes festivais internacionais.

Apesar do avanço, os desafios permanecem: muitas salas fora dos grandes centros sequer exibem produções brasileiras; parte do mercado ainda desconfia da rentabilidade e faltam políticas regionais de circulação e incentivo.

Nos dias atuais, a experiência coletiva do cinema virou quase um privilégio. A edição de 2025 do Festival do Rio tocou em antigas discussões sobre o acesso ao cinema na cidade. Entre as vozes que se destacaram, a estudante e ativista Vitória Rodrigues, de 21 anos, chamou atenção ao questionar nas redes sociais o quanto o mapa das salas reflete as desigualdades do próprio Rio.

“Direito à cidade é ter direito ao tempo. E o fato de a gente normalizar essa falta de tempo mostra que a cidade ainda é muito colonizada pelo tempo. Acredito que isso é uma tática muito eficaz da branquitude desde o início da colonização, porque, ao dominar o tempo de uma pessoa, domina-se também sua capacidade de imaginar outros mundos e de pensar criticamente”, pontua.

Fechamentos e mudanças

Moradora da Zona Norte, Vitória costuma frequentar outras opções, como o Ponto Cine, em Guadalupe: uma das raras salas fora do eixo central. No dia a dia, diz, as escolhas de lazer são fortemente influenciadas pela percepção de pertencimento à cidade.

“A experiência de quem mora em Duque de Caxias e vai até Botafogo, por exemplo, é completamente diferente da de quem vive em Copacabana e chega em vinte minutos. A primeira pessoa provavelmente chega cansada, suada, com fome, depois de horas no transporte e, muitas vezes, nem consegue ir. Quando isso acontece, ela fica limitada ao repertório cultural disponível em seu próprio bairro”.

Os cinemas concentrados em shoppings expõem uma outra questão: os valores de ingressos sofrem alteração, e os consumidores estão expostos a outras ofertas e ao consumo que se impõe junto à experiência. Quando não é isso, o público precisa lidar com o fechamento de salas ou com espaços desativados há anos. Um exemplo recente é o cinema do Shopping Jardim Guadalupe.

Localizado às margens da Avenida Brasil, o shopping já foi um dos poucos espaços de lazer do bairro, mas perdeu recentemente seu cinema. Frequentadores lamentaram o encerramento das atividades do Cine Araujo, que era considerado uma das melhores opções da região pela acessibilidade e conforto. “Poltronas confortáveis, imagem e som muito bons e um preço super acessível. Pra mim, o Cine Araujo era o melhor da região. Vai fazer falta”, comentou uma antiga frequentadora.

Atual prédio do Cine Rosário, em Ramos | Crédito: Reprodução

Ainda existem salas que caíram no abandono. Um exemplo é o Cine Rosário localizado em Ramos, na Zona Norte, que permanece fechado há anos. Sua ausência é sentida pela população ao redor. “O prédio ainda existe e poderia facilmente ser recuperado como centro cultural e sala de exibição, mas hoje está à venda”, analisa Talitha Ferraz.

O mercado e a disputa pelas telas

Entre os fatores que contribuem para a escassez de salas fora do eixo central, está o modelo da indústria cinematográfica, considerado concentrador pelo especialista em Cinema e Audiovisual, Rafael dos Santos.

“Em primeiro lugar, temos um oligopólio formado pelas grandes distribuidoras norte-americanas — as chamadas majors —, que se organizam em um lobby conhecido como MPA, a Motion Picture Association of America, ou Associação de Produtores de Filmes dos Estados Unidos. Essa entidade mantém um escritório para a América Latina sediado no Brasil, e opera como um grupo de pressão extremamente influente no setor”, explica.

O lobby dessas empresas, segundo ele, cria um sistema de dependência e exclusividade. “Há casos em que filmes brasileiros com excelente bilheteria perdem espaço nas salas porque estreiam grandes produções estrangeiras”, relatou.

“O filme De Pernas pro Ar 3, por exemplo, foi retirado de mais de trezentas sessões para dar lugar a Os Vingadores. As distribuidoras impõem condições de exibição que inviabilizam a diversidade nas telas.”

Rafael dos Santos também é professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) | Crédito: Gabriel Mattos/ Agenda do Poder

Ainda segundo o especialista, há hoje uma rede consistente de iniciativas que movimentam a produção e a exibição fora do circuito comercial: cineclubes, escolas de cinema e projetos sociais atuam tanto na formação de público quanto na profissionalização de técnicos e atores. Há projetos atuantes e conhecidos como o Nós do Cinema, Cinema Nosso, Nós do Morro, Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu e o AfroReggae Audiovisual, que emprega egressos do sistema penal em produções nacionais.

“Essas iniciativas mostram que o que falta não é interesse, e sim equipamentos urbanos e políticas de formação de público”, avalia.

Outro exemplo importante é o Ponto Cine. Para Rafael, o local demonstra que há demanda reprimida por cinema nacional nas periferias.

Há ainda a presença do Cineclube Trilhos no bairro Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Como sugere o nome, a experiência fica localizada na estação de trem: “As pessoas saem do trabalho aqui no Rio, chegam cansadas em Imbariê e ainda frequentam o cineclube”.

Para o professor, a chave do problema está na distribuição e não apenas na produção. Rafael defende o fortalecimento da exibição de filmes nacionais por meio de incentivos, subsídios e fiscalização da cota de tela que garante espaço mínimo para obras brasileiras nas salas comerciais.

O cinema é uma experiência coletiva que precisa ser garantida como direito. O ingresso é caro, o transporte é caro, e o consumo agregado encarece ainda mais. É preciso políticas que tornem o cinema acessível, inclusive com subsídios ao ingresso do filme nacional

Países como Coreia do Sul, Índia e Nigéria são exemplos de sucesso ao promover políticas de fortalecimento do cinema local, combinando regulação de mercado e estímulo ao público. “O audiovisual brasileiro é potente. O que falta é acesso e incentivo à formação de plateia. O público sabe o que quer mas também precisa querer o que ainda não conhece”‘ concluiu.

Ponto Cine fica em uma galeria comercial na Estrada do Camboatá, em Guadalupe | Crédito: Reprodução

Onde o cinema ainda resiste fora do eixo central?

  • O Ponto Cine, em Guadalupe, é uma das principais referências. Fundado em 2006, é reconhecido como o primeiro cinema do Brasil dedicado exclusivamente à exibição de produções nacionais. O espaço oferece ingressos a preços populares e entrada gratuita para estudantes da rede pública.
  • No Complexo do Alemão, o CineCarioca Nova Brasília, criado em parceria com a RioFilme, promove sessões voltadas à comunidade e serve de palco para mostras e formações audiovisuais.
  • Na Baixada, o Cineclube Mate com Angu, em Duque de Caxias, realiza exibições regulares desde 2002, sempre com debates e oficinas gratuitas.
  • Em Nova Iguaçu, a Escola Livre de Cinema forma jovens realizadores e produtores locais, enquanto o Cine Guandu, em Japeri, mantém exibições mensais com produções independentes e nacionais.
  • Em Bangu, na Zona Oeste, o antigo Cinema Pax foi reativado por coletivos culturais como espaço de exibição e oficinas.
  • Há ainda destaque para o Festival Cine Tamoios, criado no município de São Gonçalo, na Região Metropolitana. O evento tornou-se o maior de audiovisual da cidade e recebe produções de todo o país.
4ª Edição do Cine Tamoio – Festival de Cinema de São Gonçalo – Crédito: Divulgação/ Prefeitura de São Gonçalo

“Ele teve sua primeira edição em 2017 e hoje recebe obras de todo o Brasil e até do exterior, algumas com fomento público, seja da Lei do Audiovisual, seja de leis estaduais ou municipais de cultura. Isso mostra que existem pessoas ávidas por consumir e produzir cultura. E detalhe: não são só consumidores, são realizadores”, reforça Rafael.

Produções vindas das periferias e dos interiores trazem novas sensibilidades e modos de narrar que desafiam o padrão hegemônico do audiovisual, destaca Bentes:

“Quando o cinema vira um espaço de expressão, de visibilidade e imaginação social. O desafio agora é garantir que muitas linguagens, estéticas e sujeitos tenham espaço nas telas, nas políticas públicas e na formação de público. Porque descentralizar o cinema é também reinventar o olhar sobre o Brasil e inventar outros imaginários”.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading