O Rio de Janeiro encerra 2025 com uma série de novas iniciativas voltadas à proteção ambiental na Zona Sudoeste. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) colocou em prática o Plano Permanente de Restauração das Restingas, com início nas praias da Barra e do Recreio; aguarda a sanção de decreto que cria três novas unidades de conservação, que formarão o Corredor Azul; e iniciou o reflorestamento do Parque Natural Municipal da Prainha, atingido por incêndio no início do ano.
Segundo reportagem do portal g1, as ações foram aceleradas para que estivessem em andamento antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro, em Belém. Segundo a Smac, os projetos não se limitam ao evento e pretendem consolidar um modelo permanente de preservação dos ecossistemas da cidade.
Plano de Restauração das Restingas começa pela Barra e Recreio
O novo plano da Smac prevê um diagnóstico completo sobre o estado da vegetação de restinga, com mapeamento de danos, campanhas de conscientização e monitoramento mensal de trechos da orla. A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, diz que a escolha da Barra e do Recreio para iniciar o programa se deve à vulnerabilidade ambiental e à pressão imobiliária sobre essas áreas.
Em outubro, 67 quiosques das praias da Barra e do Recreio foram notificados por irregularidades, com prazo de 30 dias para adequação. Segundo a secretária, todos os estabelecimentos cumpriram as exigências dentro do prazo.
Cada quiosque tem permissão para ocupar até 60 metros quadrados e dispor de até 20 mesas com quatro cadeiras, mas muitos ultrapassam os limites. A prefeitura gasta entre R$ 3,5 milhões e R$ 4 milhões anuais com a restauração da restinga, frequentemente degradada novamente por ocupações irregulares. O plano estabelece que os próprios comerciantes serão responsáveis pelo replantio de áreas afetadas.
— A ideia é que o próprio quiosqueiro empresário faça esse movimento de replantio a partir da nossa notificação, para que o estado e o município não sejam penalizados duplamente — disse Tainá.
Orla Rio e UFRJ reforçam ações de recuperação
A concessionária Orla Rio, que administra a maioria dos quiosques cariocas, informou que participa do programa Adote Rio, da Fundação Parques e Jardins, e que estimula os comerciantes a fazer o mesmo. Segundo a empresa, dois quiosques já plantaram 600 mudas em parceria com a Smac, e outras 14.700 devem ser plantadas até o fim do ano.
Pesquisas da UFRJ alertam para a urgência da restauração. Um estudo do Laboratório de Geografia Marinha aponta que a perda de dunas e restingas pode tornar a orla da Barra vulnerável a alagamentos semelhantes aos que atingem o Leblon após ressacas. A professora Flavia Lins de Barros, uma das autoras, reforça a necessidade de técnica e planejamento.
— É preciso haver um estudo de ecologia, para saber qual espécie é nativa, dar um distanciamento adequado entre as mudas, regá-las periodicamente e fazer uma cerca neste momento inicial. Depois entra-se com espécies secundárias. É importante ainda evitar jogar lixo e pisoteá-las. Passarelas suspensas são uma opção — orienta a docente.
Corredor Azul vai conectar florestas, lagoas e orla
Outro projeto de destaque é o Corredor Azul, que unirá quatro unidades de conservação da região, três delas recém-criadas. O decreto com a criação das novas áreas aguarda assinatura do prefeito Eduardo Paes. As unidades serão o Refúgio Silvestre das Florestas de Jacarepaguá, o Monumento Natural da Pedra da Panela e a Área de Proteção Ambiental das Lagoas de Jacarepaguá. O Parque Natural Municipal Perilagunar da Lagoa de Camorim, criado no ano passado, completa o conjunto.
Com o Corredor Azul, a área protegida da cidade passará de 38% para 42%. As novas unidades terão diferentes graus de proteção: a Área de Proteção Ambiental permite uso sustentável, enquanto as demais são de preservação integral, destinadas a atividades de pesquisa, turismo ecológico e educação ambiental.
Reflorestamento da Prainha e punição a incêndio criminoso
O terceiro eixo de atuação da Smac envolve o reflorestamento do Parque Natural Municipal da Prainha, devastado por um incêndio em março. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente indiciou dois influenciadores digitais pelos crimes de associação criminosa, incêndio e jogo de azar, após identificá-los em vídeos soltando fogos que atingiram a mata.
Além do reflorestamento, duas trilhas do parque passarão por manutenção após o verão. Uma delas será substituída por um novo percurso, devido à erosão natural que comprometeu a segurança dos visitantes. Os mirantes do parque também receberão obras de conservação.






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