Durante o G20, a Unesco reconheceu o Projeto de Recuperação da Costa Brasileira, na restinga das praias de Ipanema e Leblon, que agora está integrado ao Programa de Restauração Cidadã da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. A inciativa é do Instituto-E, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), e visa a recuperar e preservar o ecossistema considerado vital para a biodiversidade local.
Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, esteve no local acompanhada por Marlova Neto, diretora e representante da Unesco no Brasil, e Oskar Metsavaht, idealizador da ação e presidente do Instituto-E. Audrey destacou o projeto como um exemplo inspirador de parceria entre a sociedade civil, o poder público e a comunidade internacional para a proteção do meio ambiente.
— É um olhar generoso e de cuidado com a natureza e sua relação com a cidade. Quando juntos protegemos a restinga das praias de Ipanema e do Leblon, estamos demonstrando ao mundo o quanto nós, cariocas, cuidamos deste espaço de expressão de nossa cultura singular, do equilíbrio entre a complexidade de uma vida urbana com a vulnerável e bela natureza que envolve nossa cidade — diz Metsavaht.
O reconhecimento do projeto de recuperação das restingas contribui para o fortalecimento da rede de projetos que atuam na recuperação desse bioma e reforça a importância da participação da sociedade civil na conservação da natureza. O apoio da Unesco também é um reflexo do compromisso do projeto com a promoção da sustentabilidade e da participação da comunidade local nas ações de restauração.
A novidade faz com que o projeto do Instituto-E entre para o rol de iniciativas globais de preservação da Mata Atlântica, bioma que representa a maior Reserva da Biosfera do planeta, com 89.687.000 hectares nos 17 estados brasileiros. Hoje, o projeto conta com 28 canteiros de restinga adotados, seis mil metros quadrados de área remanejada para as dunas, mais de dez mil metros quadrados de área replantada e cerca de 40 mil mudas de restinga plantadas de espécies nativas, como ipomeia, feijão-da-praia, perpétua, carrapicho, guriri, sofora, Senna pendula e hidrocotile.
A restinga tem um papel fundamental nas praias de Ipanema e do Leblon, na fixação das dunas litorâneas, na proteção contra a erosão e na regulação do clima, além de abrigar uma rica fauna e flora.
O projeto é realizado desde 2009 e funciona em formato de Parceria Público-Privada (PPP) junto à Prefeitura do Rio de Janeiro. Em março, o Fundo Comunitário do Airbnb realizou uma doação que foi usada para a restauração e a manutenção das dunas e da vegetação na orla.
Com informações de O GLOBO.





