Um episódio de tensão marcou a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre nesta quarta-feira (13), quando o vereador Mauro Pinheiro retirou o microfone da vereadora Juliana de Souza durante um debate no plenário. A parlamentar utilizava o microfone de apartes enquanto respondia críticas políticas quando foi interrompida pelo colega.
O caso ganhou repercussão após o Partido dos Trabalhadores anunciar que irá pedir punição contra o vereador na Comissão de Ética da Câmara Municipal.
Discussão ocorreu durante fala sobre Flávio Bolsonaro
Segundo o PT, Juliana de Souza fazia uso da palavra conforme prevê o regimento interno da Casa e respondia ataques feitos pela vereadora Nadia Gerhardt ao campo da esquerda. Durante o discurso, a petista mencionava supostas ligações financeiras entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Nesse momento, Mauro Pinheiro se aproximou da parlamentar e retirou o microfone utilizado por ela. O PT afirma que o vereador agiu “com violência” e ainda teria utilizado palavras consideradas misóginas e incompatíveis com o decoro parlamentar.
Em nota, o partido classificou o episódio como “violência de gênero” e “ataque covarde”. A legenda afirmou ainda que a atitude foi repreendida pelo presidente da Câmara, Moisés Barboza.
PT promete medidas na Câmara e na polícia
Após o episódio, a bancada petista informou que irá protocolar uma representação contra Mauro Pinheiro na Comissão de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. A vereadora Juliana de Souza afirmou que a denúncia deve ser apresentada oficialmente nesta sexta-feira (15).
Além da medida interna, o partido anunciou que pretende solicitar investigação do caso na Delegacia da Mulher. A sigla também informou que estuda outras providências judiciais para proteger a parlamentar e os integrantes da bancada.
“O PT de Porto Alegre e sua bancada de vereadores e vereadoras repudia com veemência a violência de gênero ocorrida na sessão plenária da Câmara Municipal”, afirmou a legenda em comunicado oficial.
O texto também critica o que chamou de “violência política produzida pelo bolsonarismo” e acusa adversários de disseminarem fake news nas redes sociais. Segundo o partido, imagens da sessão disponíveis no canal oficial da Câmara no YouTube reforçam a versão apresentada pela bancada petista.
Mauro Pinheiro nega acusação de violência de gênero
Em resposta às acusações, Mauro Pinheiro divulgou nota nas redes sociais afirmando que sua atitude não teve relação com o fato de Juliana ser mulher. Segundo ele, a ação ocorreu exclusivamente para manter a ordem dos trabalhos legislativos.
“O episódio ocorrido ontem não teve qualquer relação com a condição de mulher da parlamentar envolvida, tampouco buscou desqualificar sua atuação, trajetória ou mandato”, declarou.
O vereador argumentou que a discussão era de natureza regimental e citou o artigo 192 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Porto Alegre. Segundo ele, a manifestação da vereadora teria se afastado da pauta debatida naquele momento.
Pinheiro também afirmou que não houve ataque pessoal e criticou o que chamou de tentativa de transformar um “episódio regimental” em acusação de violência política de gênero. O parlamentar destacou ainda sua trajetória política e disse manter “absoluto respeito às mulheres na política”.






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