O estado do Rio de Janeiro registrou, em 2024, a maior incidência de sífilis em gestantes no Brasil, com 68,3 casos a cada mil grávidas, segundo os dados do Ministério da Saúde 2025. As informações estão no novo Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), divulgado nesta quarta-feira (16).
Tocantins e Espírito Santo lideram em sífilis congênita e sífilis adquirida
Enquanto o Rio de Janeiro aparece com o maior número de casos de sífilis em gestantes 2025, o Tocantins registrou a maior taxa de sífilis congênita, quando a doença é transmitida da mãe para o bebê. Já o Espírito Santo teve a maior incidência de sífilis adquirida no Brasil, com 212,5 casos por 100 mil habitantes, também de acordo com o Ministério da Saúde.
Nos últimos 15 anos, o país contabilizou 1,9 milhão de casos de sífilis adquirida, e as regiões Nordeste e Sudeste apresentaram aumento de 3,6% e 7,6% nos últimos dois anos.
Sífilis é prevenível e tratável, mas diagnóstico precoce ainda é desafio
A coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Pâmela Cristina Gaspar, ressaltou que a sífilis é uma doença curável e evitável, mas depende de diagnóstico precoce e tratamento adequado, especialmente durante o pré-natal.
“A sífilis é uma infecção prevenível, tratável e curável. Os dados mostram que estamos avançando e que o trabalho conjunto está salvando vidas”, afirmou a especialista em nota.
Entenda o que é sífilis e como ocorre a transmissão
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Nos estágios iniciais, surgem feridas nos órgãos genitais, boca ou outras partes do corpo. Quando a infecção ocorre durante a gravidez, é chamada de sífilis em gestante; se for passada para o bebê, recebe o nome de sífilis congênita.
Casos de sífilis em gestantes crescem entre mulheres jovens
Entre 2005 e 2025, foram registrados 810.246 casos de sífilis em gestantes. Quase metade (47,5%) está concentrada na região Sudeste, e 60% das mulheres infectadas têm entre 20 e 29 anos.
Na capital fluminense, a situação é crítica: mais de nove mães com sífilis a cada 100 nascidos vivos em 2024. Apesar disso, o diagnóstico precoce da sífilis em gestantes aumentou — 49,3% das mulheres foram diagnosticadas ainda no primeiro trimestre da gravidez, possibilitando início rápido do tratamento.
O tratamento com penicilina G benzatina, realizado até 30 dias antes do parto, é o mais eficaz para evitar a transmissão vertical da sífilis. Mesmo assim, mais de 80% das mães de bebês com sífilis congênita não receberam tratamento adequado em 2024.
Sífilis congênita ainda preocupa e causa mortes de bebês
Nos últimos 26 anos, o Brasil notificou 369.468 casos de sífilis congênita em menores de 1 ano. O boletim mostra uma leve queda em relação a 2023 — cerca de 500 casos a menos —, mas o problema persiste. Desde 1998, 3.739 bebês morreram de sífilis congênita, sendo 41,8% dessas mortes na região Sudeste.
Brasil ainda enfrenta desafio no combate à sífilis em 2025
Apesar de ser uma doença de fácil prevenção e cura, a sífilis em gestantes e a sífilis congênita continuam sendo grandes desafios para o sistema público de saúde. O Ministério da Saúde reforça a importância de testes rápidos gratuitos, uso de preservativos e tratamento adequado das gestantes para reduzir os casos de sífilis no Brasil em 2025.






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