Rio dá passo histórico para se tornar capital da inteligência artificial na América Latina

Memorando assinado durante o Web Summit Rio garante aporte inicial de US$ 550 milhões para expansão do complexo de data centers na Barra da Tijuca

O projeto Rio AI City deu mais um passo para sair definitivamente do papel. Durante a abertura do Web Summit Rio 2026, realizada nesta segunda-feira (8), a Prefeitura do Rio anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a Elea Data Centers, garantindo um aporte inicial de US$ 550 milhões para o complexo tecnológico que será instalado nas proximidades do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.

A iniciativa é considerada uma das principais apostas da administração municipal para consolidar a capital fluminense como referência internacional em inteligência artificial, infraestrutura digital e processamento de dados.

O acordo foi firmado pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo CEO da Elea Data Center, Alessandro Lombardi.

“Hoje a iniciativa avança, com o primeiro aporte do fundo. Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do Sul Global”, afirmou Cavaliere durante a cerimônia de abertura do evento.

Projeto pode receber até US$ 65 bilhões

O Rio AI City foi apresentado pela Prefeitura em 2025 como um grande hub voltado para inteligência artificial, armazenamento de dados e computação em larga escala.

Segundo os organizadores, o complexo poderá receber investimentos de até US$ 65 bilhões ao longo dos próximos anos.

A Elea Data Centers foi adquirida pela gestora americana I Square Capital, que assumiu o compromisso de investir US$ 10 bilhões na expansão das operações da companhia no Brasil.

Parte desses recursos será destinada ao desenvolvimento da infraestrutura do Rio AI City.

Data center já opera na Barra

O projeto prevê uma capacidade energética inicial de 1,5 gigawatt (GW), volume suficiente para atender grandes operações de inteligência artificial e computação de alto desempenho.

A previsão é que essa capacidade ultrapasse 3 GW até 2032.

De acordo com os responsáveis pelo empreendimento, o primeiro data center já está em operação na região da Barra da Tijuca.

A expectativa é transformar o local em um dos maiores polos tecnológicos da América Latina.

Web Summit reforça estratégia do Rio

A expansão do Rio AI City está diretamente ligada à estratégia da Prefeitura de transformar o Rio de Janeiro em um centro global de inovação.

O Web Summit Rio faz parte desse plano e permanecerá na cidade até pelo menos 2030.

Nesta edição, o evento registrou recorde de participação, reunindo 1.572 startups, número 12% superior ao do ano passado.

Segundo os organizadores, mais de 40 mil pessoas devem passar pelo Riocentro até o encerramento da conferência.

O diretor do Web Summit no Brasil, Artur Pereira, destacou o crescimento acelerado do setor tecnológico no país.

“Existe uma razão para o Web Summit seguir voltando para o Brasil. O ecossistema de tecnologia está explodindo. A velocidade com que o Brasil e a América Latina adotam e escalam sistemas é impressionante”, afirmou.

Gigantes da tecnologia participam do evento

A programação deste ano reúne representantes de algumas das principais empresas de tecnologia do mundo.

Executivos e especialistas ligados a organizações como Microsoft, OpenAI e Google participam de debates sobre inteligência artificial, inovação e transformação digital.

Entre os destaques também está Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi, empresa especializada em mercados preditivos com sede nos Estados Unidos.

Durante sua participação, a executiva defendeu a distinção entre plataformas de apostas tradicionais e os chamados mercados preditivos, modelo de negócio que busca expandir para novos mercados.

IA e regulação entram no debate

Outro tema que ganhou espaço na abertura do Web Summit foi a regulação da inteligência artificial.

O ator Lázaro Ramos participou de um painel ao lado da jornalista Natuza Nery para discutir impactos da IA sobre direitos autorais, empregos e uso da imagem de pessoas.

Durante o debate, foram defendidos mecanismos regulatórios capazes de proteger criadores de conteúdo e usuários diante do avanço acelerado das novas tecnologias.

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