Após 54 dias de mobilização, os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) aprovaram o encerramento da greve que marcou o primeiro semestre letivo de 2026. A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (8), quando a maioria dos participantes votou pela recomendação de retorno às atividades acadêmicas.
A proposta favorável ao fim da paralisação recebeu 323 votos, enquanto 255 estudantes defenderam a continuidade do movimento. Houve ainda nove abstenções durante a votação.
Apesar do resultado, a greve não está oficialmente encerrada em toda a universidade. Cada faculdade e unidade acadêmica deverá realizar suas próprias assembleias nos próximos dias para deliberar sobre a retomada das aulas e demais atividades.
Mobilização alcançou todas as unidades da universidade
Iniciada em 14 de abril, a paralisação se transformou em uma das maiores mobilizações estudantis da última década na USP. O movimento chegou às 43 unidades da instituição e teve início em meio às críticas à criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), benefício destinado aos docentes.
Com o avanço das negociações, as reivindicações passaram a se concentrar principalmente em pautas ligadas à permanência estudantil. O foco principal dos estudantes foi a ampliação dos auxílios destinados a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Os grevistas defendiam inicialmente que o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe) fosse equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.874. Posteriormente, a reivindicação foi reduzida para um valor mensal de R$ 1.096.
Negociações entre estudantes e reitoria tiveram impasses
Durante as tratativas, a reitoria apresentou uma proposta de reajuste do auxílio estudantil de R$ 885 para R$ 912, valor correspondente à recomposição da inflação acumulada desde 2022.
Além do reajuste, a administração da universidade anunciou ações voltadas para melhorias no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e medidas para ampliar os canais de diálogo com a comunidade estudantil.
As propostas, entretanto, foram consideradas insuficientes pelos representantes do movimento, o que contribuiu para a continuidade da greve por quase dois meses.
Protestos e ocupação da reitoria marcaram a paralisação
Ao longo da greve, ocorreram diversos atos, manifestações e piquetes em diferentes campi da universidade. O episódio de maior tensão aconteceu em maio, quando estudantes ocuparam o prédio da reitoria para pressionar pela retomada das negociações.
A administração da USP acionou a Polícia Militar para desocupar o local, gerando novos confrontos e ampliando a repercussão do movimento.
Em meio aos impasses, o reitor da universidade afirmou que a instituição havia atingido seu limite de negociação e avaliou que parte das reivindicações apresentadas já extrapolava questões diretamente relacionadas à gestão universitária.
Retorno gradual das atividades influenciou decisão
Representantes estudantis contestaram a posição da reitoria e argumentaram que as principais demandas não haviam sido plenamente discutidas. Mesmo assim, a adesão ao movimento perdeu força gradualmente nas últimas semanas.
Diversas unidades já haviam retomado suas atividades normalmente, incluindo as faculdades de Direito e Medicina, a Escola Politécnica e campi do interior paulista.
Com a proximidade do encerramento do semestre letivo e a preocupação com possíveis prejuízos acadêmicos, cresceu entre os próprios estudantes o apoio a uma solução negociada. Agora, a expectativa se concentra na definição dos calendários de reposição e na normalização completa das atividades da universidade.





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