A dois dias do primeiro turno das eleições, o Rio de Janeiro aparece com o maior número de procedimentos relacionados a crimes eleitorais instaurados pela Polícia Federal desde julho. Até as 16h desta sexta-feira (2), o estado contabilizava 67 dos 558 registros existentes no país, o equivalente a 12% do total nacional, ou aproximadamente um em cada oito casos.
Os dados fazem parte do Painel Público de Crimes Eleitorais da PF e abrangem diferentes tipos de ocorrência. Entre os casos investigados estão suspeitas de inscrição fraudulenta de eleitor, falsidade ideológica eleitoral, corrupção eleitoral, violência política contra a mulher, difamação eleitoral e apropriação de recursos de campanha.
O número cresce quando o período considerado começa em janeiro. Ao longo de 2026, segundo os dados apresentados no painel até esta sexta, a PF instaurou 1.243 procedimentos relacionados a crimes eleitorais em todo o Brasil. Desse total, 139 têm o Rio de Janeiro como endereço.
Compra de votos entra no radar
A corrupção eleitoral, que inclui oferecer, prometer, entregar, solicitar ou receber vantagem em troca do voto, também está entre os crimes investigados no estado.
O procurador regional eleitoral do Rio, Flávio Paixão, afirmou em entrevista à CBN que a Polícia Federal mantém operações para combater a compra de votos e que novas diligências poderiam ser realizadas até o fim de semana.
“Existem múltiplas maneiras de compra de voto. O crime tradicional de compra de votos com dinheiro continua acontecendo muito”, afirmou Paixão.
Segundo os dados apresentados no levantamento, foram instaurados 195 procedimentos por corrupção eleitoral no país desde janeiro. No Rio, são 18 registros, enquanto o Ceará aparece com 21.
O procurador também chamou atenção para suspeitas envolvendo mecanismos mais complexos de financiamento eleitoral irregular, incluindo possíveis terceirizações de serviços por fundações e organizações não governamentais.
R$ 600 mil apreendidos em Niterói
Uma das ações realizadas pela PF no Rio durante a campanha ocorreu em Niterói. Em setembro, agentes apreenderam R$ 600 mil em espécie durante uma operação contra crimes eleitorais em Piratininga, na Região Oceânica.
Segundo a própria Polícia Federal, uma mulher foi abordada e estava com o dinheiro. Documentos e planilhas também foram apreendidos e encaminhados à Delegacia da PF em Niterói. A corporação informou que a investigação busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos, sem apontar, até o momento, uma conclusão sobre o uso do dinheiro.
Fraude no cadastro lidera casos no Rio
Considerando apenas os procedimentos instaurados desde julho, o crime com maior número de registros no Rio é a inscrição fraudulenta de eleitor. São 29 investigações envolvendo suspeitas de fraude no cadastro eleitoral.
Em seguida aparece a falsidade ideológica eleitoral, com 13 procedimentos. O crime envolve inserir declaração falsa ou omitir informação que deveria constar de documento para fins eleitorais.
O levantamento aponta ainda sete investigações por violência política contra a mulher no Rio, cinco relacionadas à difamação eleitoral e seis por apropriação de recursos destinados ao financiamento de campanha.
A própria PF já realizou neste período uma operação no estado para investigar possíveis fraudes relacionadas à mudança de domicílio eleitoral mediante apresentação de documentação falsa.







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