Mensagens de WhatsApp trocadas pela advogada Anna Carolina Noronha com o empresário Marconny Faria, alvo de investigação do MPF por suspeita de fraudes em licitações no Pará, revelam que o ministro e ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, teria defendido a invasão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 16 de março de 2016, em meio à indicação de Lula (PT) para ser chefe da Casa Civil por Dilma Rousseff (PT).
Nas mensagens, divulgadas por Paulo Capelli no site Metrópoles nesta quarta-feira (25), Nina Noronha – como é conhecida a advogada – que é filha de Noronha, diz que o pai considerava que o STF foi corrompido e os ministros, comprados.
O meu Pai falou w (que) os manifestantes deviam sim ter invadido. O palácio. O srf (STF). Pq não há mais instituição. O stf tá corrompido”, escreveu ao empresário, que em resposta defendeu a indicação de Sergio Moro e de Noronha para cadeiras do STF.
“Vamos fazer várias ações. Não vai conseguir ferrar o Moro. Vai ser o próximo min (ministro) do STF depois do seu pai”, escreveu.
A advogada fala, então, que assistia ao lado do pai uma declaração do ex-ministro Marco Aurélio Mello “defendendo o Lula”.
“Defendeu sim. (Estou) assistindo (do) lado do meu Pai. (Marco Aurélio) falou q o presidente está assumindo para ajudar o País. E não para escapar do Moro. Jornal da Globo. Faz dez minutos. A corte está comprada. (Rodrigo) Janot e todos mais. Meu pai vai abrir Adesão (a sessão) amanhã com uma Nota repudiando o lula. Por ter chamado o STJ de covarde”, escreveu a advogada, lembrando a declaração de Lula que o STF estaria “acovardado” diante da ação da Lava Jato.
O ministro Marco Aurélio de fato havia dito que não via na nomeação de Lula a tentativa de blindá-lo. E Lula, na conversa com Dilma interceptada pela Lava Jato, havia dito realmente que o Supremo e o STJ estavam “acovardados”.
No dia seguinte, 17 de março de 2016, Noronha fez exatamente o que disse a filha e rebateu a declaração de Lula em plenário, dizendo que o STJ não era covarde e julgava com imparcialidade os casos da Lava-Jato.
Em nota ao Metrópoles, Noronha diz que “nunca preguei ou defendi a invasão do STF” e ressalta que “não estive em momento algum revoltado com qualquer decisão com relação à nomeação a cargo de ministro do Executivo, visto que essa é uma escolha reservada ao Presidente da República”.
A filha disse não se recordar do diálogo e que suas conversas privadas não refletem a opinião do ministro.
“Apenas posso afirmar que eu e meu pai somos pessoas diferentes e podemos ter pensamentos diversos em determinados momentos. Não me recordo de qualquer fala de meu pai nesse sentido, bem como afirmo que minhas conversas privadas não refletem a opinião de meu pai”, declarou.






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