O caso de feminicídio que chocou a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ganhou novos desdobramentos com a divulgação de detalhes sobre o histórico do principal suspeito. Preso pela morte da modelo Ana Luiza Mateus, de 29 anos, o empresário Endreo Lincoln Ferreira da Cunha acumulava mais de 20 anotações criminais e já havia sido condenado anteriormente.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito chegou a afirmar que se considerava responsável pelo caso, embora não tenha feito uma confissão formal. “Ele diz que não foi ele que fez, mas que é o culpado”, relatou o delegado Renato Martins.
Histórico criminal chama atenção
As investigações apontam que Endreo tinha uma longa ficha policial. Entre os registros, consta uma condenação a três anos em regime aberto por atropelar um policial civil após sair de uma festa.
Na ocasião, ele tentou fugir em alta velocidade e acabou sendo baleado durante a ação. Além disso, o suspeito também já havia sido atingido por disparos feitos pelo próprio pai, em um episódio relacionado a uma dívida familiar.
“Esses antecedentes reforçam o histórico de conflitos e comportamentos de risco”, apontam investigadores.
Relação marcada por conflitos
De acordo com depoimentos, o relacionamento entre Endreo e Ana Luiza durou cerca de três meses e era marcado por discussões frequentes. A polícia indica que a briga mais recente teria sido motivada pelo desejo da vítima de encerrar o relacionamento.
“Havia uma relação muito abusiva, com violência moral e psicológica extremamente intensa”, afirmou o delegado.
Testemunhas relataram que o casal chegou discutindo ao condomínio Alfapark, na Barra da Tijuca. Após a discussão, o suspeito deixou o local, mas retornou pouco depois.
Últimas horas antes da morte
Funcionários do prédio disseram ter orientado a modelo a sair do apartamento caso o namorado voltasse. Ela chegou a informar que havia comprado passagem para retornar à Bahia, mas decidiu permanecer no imóvel.
Ana Luiza foi encontrada morta após cair do 13º andar do prédio, por volta das 5h30.
A polícia apura se houve alteração na cena do crime. Segundo o delegado, há relatos de que o suspeito teria mexido no corpo e tentado deixar o local pela porta dos fundos.
“Isso configura violação da prova processual”, afirmou.
Ciúmes e comportamento abusivo
As investigações também indicam que o suspeito apresentava comportamento possessivo e ciúmes excessivos.
“Era um ciúme doentio, ligado à aparência e às relações pessoais da vítima”, disse o delegado.
Mensagens trocadas entre o casal e depoimentos de testemunhas reforçam a linha de investigação de que havia um ambiente de conflito constante.
Investigação em andamento
O caso segue sendo apurado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que já realizou perícia no local e continua ouvindo testemunhas.
A morte da modelo também gerou repercussão no meio dos concursos de beleza. A organização do Miss Cosmo Brasil divulgou nota lamentando o caso e prestando solidariedade à família:
“A organização Miss Cosmo Brasil manifesta profundo pesar pela morte de Ana Luiza Mateus, candidata inscrita ao título de Miss Cosmo Brasil 2026, representando o estado da Bahia.
Ana Luiza era uma jovem em ascensão que construía com esforço e talento sua trajetória no universo Miss.
Recebemos a notícia com tristeza e consternação. Nos solidarizamos com seus familiares e amigos.
Diante das informações sobre o ocorrido, o caso convoca a uma reflexão urgente sobre a violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio não pode ser tratado como estatística ou rotina. É uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, compromisso e ação coletiva.
Ana Luiza não será esquecida.
Miss Cosmo Brasil
Fabrício Granito (CEO)”





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