Relatório do BC diz que liquidação do Master não gerou risco ao sistema financeiro

Migração de recursos para grandes bancos ajudou a evitar efeitos de contágio após crise no conglomerado de Vorcaro

O Banco Central afirmou nesta segunda-feira (25) que a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao conglomerado Master não provocou impactos sistêmicos no sistema financeiro brasileiro. A avaliação foi apresentada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025.

Segundo a autoridade monetária, o processo de ressarcimento conduzido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a rápida migração de recursos para bancos de maior porte contribuíram para impedir riscos de contaminação no mercado financeiro nacional.

O documento reforça o posicionamento que já vinha sendo adotado pelo Banco Central desde o aprofundamento da crise envolvendo o grupo controlado por Daniel Vorcaro.

De acordo com o BC, os clientes que receberam devoluções do FGC direcionaram seus recursos principalmente para instituições consideradas sistemicamente relevantes.

“Após a liquidação, clientes ressarcidos pelo FGC direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras (IFs) de maior porte e de maior relevância sistêmica”, informou o Banco Central no relatório.

A avaliação oficial é de que a estrutura do sistema bancário brasileiro conseguiu absorver os efeitos da liquidação sem gerar desequilíbrios relevantes no mercado.

Banco Central minimiza risco estrutural

A posição apresentada no relatório acompanha declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a dimensão do conglomerado Master dentro do sistema financeiro brasileiro.

Segundo Galípolo, o tamanho da instituição não representava ameaça estrutural ao mercado financeiro nacional.

“Concordo que isso está consternando as pessoas, não é o passivo [dívida do Master]. Mas o que foi feito com o dinheiro. Um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico, é menor de 0,5% do patrimônio [total do sistema]. O que se chama a atenção é o que se fazia com o dinheiro”, declarou anteriormente o presidente do BC.

A classificação “S3” utilizada por Galípolo faz referência ao enquadramento regulatório adotado pelo Banco Central para instituições financeiras de médio porte, consideradas sem relevância sistêmica elevada.

Mesmo assim, o caso envolvendo o conglomerado Master passou a chamar atenção das autoridades financeiras e de órgãos de investigação diante das suspeitas relacionadas ao destino dos recursos movimentados pela instituição.

Migração de depósitos ajudou a conter crise

No Relatório de Estabilidade Financeira, o Banco Central destaca que a transferência de depósitos para bancos maiores teve papel importante para preservar a confiança no sistema bancário.

Segundo a avaliação técnica da autoridade monetária, o movimento reduziu o risco de propagação da crise para outras instituições financeiras.

O BC, porém, não detalhou no documento quais operações específicas ou práticas envolvendo o conglomerado Master despertaram maior preocupação regulatória.

Ainda assim, o relatório reconhece que houve atenção especial das autoridades em relação à utilização dos recursos da instituição.

O caso Master se tornou um dos principais episódios recentes acompanhados pelo mercado financeiro brasileiro, especialmente após o avanço das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.

As apurações da Polícia Federal e do Ministério Público investigam supostos esquemas envolvendo carteiras de crédito fraudulentas, movimentações financeiras suspeitas e pagamentos de propina ligados ao grupo financeiro.

Sistema financeiro segue monitorado

Apesar da crise envolvendo o conglomerado Master, o Banco Central afirmou que o sistema financeiro nacional segue operando em ambiente considerado estável.

O Relatório de Estabilidade Financeira é publicado periodicamente pela autoridade monetária para avaliar riscos econômicos, vulnerabilidades do setor bancário e capacidade das instituições financeiras de enfrentar cenários adversos.

Segundo o BC, a estrutura de capital e liquidez dos bancos brasileiros continua robusta, mesmo diante de episódios recentes de turbulência envolvendo instituições específicas.

A autoridade monetária também ressaltou que os mecanismos de proteção, como o Fundo Garantidor de Créditos, ajudaram a preservar a confiança dos clientes e evitar movimentos mais amplos de retirada de recursos.

Nos bastidores do mercado, porém, o caso Master continua sendo acompanhado com atenção devido aos desdobramentos judiciais e às investigações em andamento envolvendo executivos, operações financeiras e possíveis irregularidades na formação de carteiras de crédito.

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