‘Regret nothing’ Renner para de vender camisa com frase associada a discurso misógino

Peça foi usada por acusado de estupro coletivo no Rio de Janeiro; empresa afirma que criação não tem relação com grupos que pregam ódio às mulheres

A Lojas Renner anunciou a retirada de uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“não se arrependa de nada”, em tradução livre) de suas lojas físicas e canais digitais. A decisão foi tomada após a peça ganhar repercussão nacional por ter sido usada por Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, acusado de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro.
A imagem de Simonin, registrada no momento em que se entregava à polícia, viralizou nas redes sociais e foi destacada pela imprensa. A expressão estampada na camiseta é frequentemente associada a discursos misóginos e a grupos conhecidos como redpills e incels, que pregam ódio contra mulheres.

Retirada de circulação após repercussão negativa

Em nota oficial, a Renner declarou que “repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva” e reforçou seu compromisso com valores institucionais. A companhia afirmou ainda que o processo criativo da peça foi inspirado em manifestações culturais contemporâneas, como poesias e músicas, e não tem relação com movimentos machistas. Apesar disso, optou por recolher o item diante da repercussão negativa.

O caso Simonin
Simonin é um dos quatro homens acusados de participar do estupro coletivo ocorrido em 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana. Um adolescente também teria participado das agressões. A vítima relatou em depoimento que foi convidada por um colega de escola para ir ao local e, ao chegar, foi levada para um quarto, onde sofreu violência física e sexual por mais de uma hora.
Além desse episódio, o programa Fantástico revelou que outra jovem denunciou Simonin por abuso sexual em uma festa, quando tinha 17 anos. Segundo o relato, ele tentou forçá-la a praticar sexo oral.

Contexto da frase
A expressão “Regret Nothing” é utilizada como lema por grupos da chamada “machosfera”, que defendem a dominação masculina e o desprezo pelas mulheres. Um dos principais nomes associados a esse discurso é Andrew Tate, influenciador britânico-americano réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores. Tate é considerado referência para comunidades incel e redpill, que propagam ideologias misóginas e têm milhões de seguidores online.

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