Moradores do Grande Méier e de bairros próximos, na Zona Norte do Rio, devem conviver com o risco de novas quedas de energia até pelo menos o fim de maio. Após apagões e oscilações registrados nos últimos dias, em meio a temperaturas acima dos 40 °C, a Light informou que a instabilidade está ligada a uma obra estrutural em andamento na subestação do Cachambi, responsável pelo fornecimento de energia para parte da região.
Segundo a concessionária, o problema não está relacionado apenas ao aumento do consumo provocado pelo calor intenso. A principal causa é a substituição de cabos subterrâneos de alta tensão que chegaram ao fim da vida útil e precisaram ser trocados de forma emergencial e planejada.
A subestação do Cachambi atende, além do próprio bairro, as regiões do Méier, Todos os Santos, Maria da Graça, Del Castilho, Engenho de Dentro, Jacarezinho e Benfica. A situação, de acordo com a Light, é semelhante à que provocou uma crise no fornecimento de energia na Ilha do Governador no ano passado.
Obras na subestação do Cachambi
De acordo com o vice-presidente de operações da concessionária, Vinicius Roriz, em entrevista ao jornal O Globo, os cabos antigos já apresentavam risco elevado de falhas e foram identificados como críticos em um mapeamento realizado em 2023. A partir disso, a empresa iniciou o planejamento da troca, já que os novos equipamentos não estão disponíveis para entrega imediata.
A obra teve início em 2025 e prevê a substituição de cerca de dois quilômetros de cabos, além de escavações, troca de tubulações e adequação de dutos subterrâneos. Os novos cabos utilizam tecnologia mais moderna e materiais menos atrativos para furto, como o alumínio.
Plano de contingência
Enquanto a modernização não é concluída, a Light opera com um plano de contingência para evitar apagões prolongados. A primeira estratégia envolve manobras na rede, com redirecionamento de energia de subestações vizinhas para suprir a região afetada.
Diferentemente da Ilha do Governador, que depende de cabos subaquáticos, a subestação do Cachambi está inserida em uma malha mais interligada, o que facilita esse tipo de operação.
Com a intensificação das ondas de calor neste verão, no entanto, a concessionária passou a acionar uma segunda camada do plano de contingência: geradores instalados dentro da própria subestação. Esses equipamentos não funcionam de forma contínua e só entram em operação após a ocorrência de uma falha, o que demanda tempo técnico para sincronização com a rede elétrica.
A Light estima que, em dias de calor extremo, o consumo de energia pode aumentar cerca de 25% em áreas regulares. Em regiões com alto índice de ligações clandestinas, esse crescimento pode ser ainda maior, pressionando o sistema além do previsto.
A concessionária afirma que, nesse cenário, o restabelecimento do fornecimento pode levar mais tempo do que o planejado. Em episódios recentes, a recomposição do sistema superou as três horas inicialmente estimadas, já que, após a retomada da energia, equipes ainda precisam atuar em campo para rearmar transformadores que desarmam por proteção e corrigir falhas pontuais.
Instabilidade recente
Entre a noite de terça-feira (13) e a madrugada desta quarta-feira (14), moradores de bairros como Tijuca, Cachambi, Engenho de Dentro e Grande Méier relataram novas quedas de energia e oscilações pelo segundo dia consecutivo. No Engenho de Dentro, um transformador explodiu nas proximidades do Estádio Nilton Santos, o Engenhão, agravando a instabilidade no fornecimento.
A Light informou que técnicos foram acionados e que o serviço foi normalizado ainda durante a noite. A concessionária afirmou, no entanto, que essas ocorrências não tiveram relação direta com a falha na subestação do Cachambi registrada anteriormente.
Nas redes sociais, moradores relatam prejuízos com alimentos perdidos, noites sem ventilação em meio ao calor intenso e receio de danos a eletrodomésticos devido às oscilações constantes.
Diante da situação, o prefeito Eduardo Paes (PSD) chegou a reclamar do problema nas redes sociais e afirmou que determinou o acompanhamento do caso por equipes da prefeitura, além de ter acionado o Procon Carioca para cobrar providências da concessionária.
A Light disse que o fornecimento segue sob monitoramento constante, mas que, até a conclusão das obras, prevista para maio, novos episódios de instabilidade não estão descartados.






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