Receita apreende mais de R$ 17 milhões em drogas sintéticas no Galeão em 2 anos e alerta para avanço da metanfetamina no Rio

Aumento das apreensões expõe crescimento das NPS e do consumo de “crystal”, associado a festas e jovens de classe média

Entre 2023 e junho de 2025, a Receita Federal registrou apreensões que somam R$ 17,5 milhões em drogas sintéticas no Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, informa reportagem do jornal O Globo. Os números revelam um fenômeno em expansão: a chegada cada vez maior de substâncias criadas em laboratório, que imitam drogas tradicionais, mas ainda não são totalmente contempladas pela legislação.

Desse total, R$ 15,1 milhões correspondem às chamadas NPS (Novas Substâncias Psicoativas), que vêm sendo monitoradas pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodoc). Essas substâncias são constantemente modificadas, dificultando a detecção por autoridades e elevando os riscos para usuários.

MDMA e ecstasy somam mais de R$ 1,4 milhão

No mesmo período, também foram apreendidos mais de R$ 1,4 milhão em comprimidos e cristais de ecstasy e MDMA, o princípio ativo da chamada “droga do amor” ou “molly”. Com efeito estimulante e alucinógeno, a droga é consumida em festas e ambientes recreativos, podendo provocar euforia, aumento da energia e sensação de empatia.

O ecstasy, vendido em comprimidos, nem sempre contém apenas MDMA, o que faz com que os efeitos variem conforme a pureza e a combinação com outras substâncias.

A expansão da metanfetamina

Outro dado que chama a atenção é a presença crescente da metanfetamina nas operações do Galeão, com apreensões avaliadas em R$ 1,2 milhão. Popularmente conhecida como “crystal”, “tina” ou “droga de rico”, a substância já figura em apreensões recentes em diferentes pontos do Rio.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), em ação com a Polícia Rodoviária Federal, prendeu em Nova Iguaçu dois homens que transportavam oito quilos da droga pela Rodovia Presidente Dutra. O material foi avaliado em cerca de R$ 4 milhões.

Segundo a reportagem, a metanfetamina tem se disseminado em festas privadas, principalmente entre jovens de classe média e alta. O efeito é prolongado e intenso: a droga eleva os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, proporcionando disposição, confiança e sensação de poder. Uma única dose pode durar horas, diferentemente da cocaína, o que reduz a frequência de consumo — mas eleva os riscos de dependência.

O consumo da metanfetamina também aparece associado à prática conhecida como “chemsex”, ou “sexo químico”, em tradução livre, que é o uso de drogas durante relações sexuais.

Um desafio crescente

Com apreensões milionárias e relatos crescentes de consumo, a metanfetamina e as novas drogas sintéticas acendem o alerta de autoridades de saúde e segurança. A escalada no Galeão indica que o Brasil pode estar se tornando rota estratégica para a entrada dessas substâncias, ao mesmo tempo em que o consumo interno começa a ganhar espaço entre públicos que antes não eram associados a esse tipo de droga.

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