Reboques somem das ruas e queixas por estacionamento irregular disparam no Rio

Capital registra mais de 138 mil reclamações ao 1746 enquanto contrato da prefeitura enfrenta falhas, multas e queda na arrecadação

O estacionamento irregular em calçadas e outros pontos proibidos tornou-se a principal dor de cabeça do carioca, informa reportagem do jornal O Globo. Só entre janeiro e setembro deste ano, o serviço 1746 da prefeitura recebeu 138.168 queixas — mais de 500 por dia, em média. A infração tende a crescer nos meses de verão e nas semanas que antecedem o Natal, quando o fluxo de pedestres e veículos aumenta em toda a cidade.

Apesar da demanda crescente, o município não tem conseguido colocar nas ruas a quantidade de reboques prevista em contrato. Embora o acordo firmado com a atual operadora estabeleça a operação de 33 guinchos, uma ata publicada no Diário Oficial da semana passada informava que apenas “de dois a cinco guinchos” estavam em funcionamento.

Impacto financeiro e queda na arrecadação

O Rio tem hoje 3,2 milhões de veículos registrados. A dificuldade de retirar automóveis irregulares das ruas também afeta as finanças do Fundo Especial de Ordem Pública, criado em 2018 para equipar a Guarda Municipal. Em reunião interna, o subsecretário de Gestão da Seop, Rodrigo Arnault Schwartz, alertou que “a baixa performance do reboque é um problema para a saúde financeira do Fundo”.

A arrecadação acumulada até o fim de outubro foi de cerca de R$ 11 milhões, muito aquém dos R$ 17 milhões previstos. Esse montante deveria vir principalmente do recolhimento de veículos estacionados irregularmente, uma das principais fontes do fundo.

Secretaria admite falhas, mas aponta problema pontual

O secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, reconhece que há falhas na execução do serviço, mas afirma que a dificuldade registrada não é permanente e que a quantidade de reboques que temos é suficiente para atender às demandas. “Quando não é possível rebocar, aplicamos multas ao motorista infrator”, diz.

O contrato atual, firmado em agosto de 2024 com a empresa Efatá Comércio e Serviços Ltda, tem validade de dois anos e custo de R$ 19,1 milhões. Desde abril, a terceirizada recebeu seis multas que somam R$ 185 mil por descumprimento de metas. Em agosto, a prefeitura tentou abrir uma licitação para substituir a empresa, mas não houve interessados.

Belchior afirma que o município busca um novo modelo para contratação: “A expectativa é que tudo esteja resolvido até o fim do primeiro trimestre de 2026. Também devemos aumentar a frota contratada para 40 reboques”.

Menos carros recolhidos e depósitos quase parados

Se os reboques são suficientes ou não, os números mostram uma queda acentuada no recolhimento de veículos. Os depósitos do Andaraí e de Guaratiba, que recebem carros rebocados, têm registrado movimento reduzido. Em outubro, apenas 20 veículos foram listados nos editais da Seop — bem menos que os 183 do mesmo mês de 2024 e os 147 em outubro de 2023.

As taxas cobradas para retirar um veículo do depósito vão de R$ 117,50 para motos a R$ 470,03 para ônibus e caminhões, além de diárias que variam de R$ 47,44 a R$ 189,94.

Histórico de irregularidades e conflito na contratação

A operação dos reboques é alvo de polêmicas há anos. Em 2022, a prefeitura rompeu o contrato com a empresa J. S. Salazar após denúncias de suborno feitas pelo ex-vereador Gabriel Monteiro, que esteve preso até março passado por estupro. O modelo antigo remunerava a empresa com base em percentual das taxas cobradas, cerca de 80% do total arrecadado com remoções e diárias. Hoje, o município paga um valor fixo mensal, independentemente da quantidade de carros rebocados.

Com o aumento das queixas, a queda na arrecadação e a baixa operação dos reboques, a prefeitura tenta reorganizar o serviço antes da alta temporada de verão, quando as reclamações tendem a crescer ainda mais.

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