Radares na Rodovia Amaral Peixoto geram controvérsia e multas começam a valer ainda em junho

Instalação de 133 equipamentos ao longo da RJ 106 provoca reclamações de motoristas, questionamentos no TCE-RJ e preocupação do setor turístico.

A instalação de novos radares na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), uma das principais ligações entre a Região Metropolitana do Rio e cidades da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, tem provocado debates entre motoristas, autoridades e representantes do turismo. Os equipamentos, que ainda passam por fase de testes, começam a aplicar multas na segunda quinzena de junho.

Ao todo, serão 133 equipamentos distribuídos em 78 pontos ao longo dos cerca de 200 quilômetros da rodovia, que liga São Gonçalo a Macaé. Embora o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) afirme que o número é o mesmo previsto no contrato anterior, usuários da via alegam que a presença dos radares se tornou mais perceptível em diversos trechos.

Atualmente, alguns equipamentos permanecem cobertos por lonas escuras ou com os painéis de velocidade desligados, mas muitos condutores já reduzem a velocidade ao se aproximarem dos pontos de fiscalização por receio de futuras autuações.

Questionamentos sobre quantidade de radares

A ampliação da fiscalização eletrônica tem gerado críticas de motoristas que utilizam a RJ-106 com frequência. Muitos questionam a necessidade da instalação de tantos equipamentos ao longo da estrada e acreditam que a medida pode ter caráter arrecadatório.

A discussão ganhou força principalmente às vésperas do feriado prolongado de Corpus Christi, período em que milhares de veículos utilizam a rodovia para acessar destinos turísticos como Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios e outras cidades da Costa do Sol.

O DER-RJ informou que a localização completa dos radares será divulgada em seu portal oficial ainda neste mês. Segundo o órgão, a distribuição dos equipamentos foi definida com base em critérios técnicos de segurança viária e índices de acidentes.

Licitação está sob análise do Tribunal de Contas

Além das reclamações dos usuários, a contratação dos equipamentos também está sendo analisada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

O procedimento foi questionado após representação apresentada pelo deputado estadual Vitor Júnior (PDT), que apontou possíveis indícios de comprometimento da competitividade durante o pregão eletrônico realizado em setembro do ano passado.

Um dos pontos que chamaram atenção foi a diferença mínima entre as propostas apresentadas pelas empresas participantes. Em um dos lotes, a empresa vencedora apresentou valor apenas um centavo inferior ao da segunda colocada. Em outros lotes, a diferença ficou em torno de R$ 1 mil.

O DER-RJ informou que já encaminhou todos os esclarecimentos solicitados pelo TCE-RJ e ressaltou que o processo ocorreu por meio de pregão eletrônico, com acompanhamento dos órgãos de controle e registro de todas as etapas.

Distância reduzida entre equipamentos gera críticas

Outro motivo de reclamação é a proximidade entre alguns radares instalados ao longo da Amaral Peixoto.

Em determinados trechos, especialmente entre São Gonçalo, Niterói e Maricá, a distância entre pontos de fiscalização é inferior a um quilômetro. Nas proximidades do Hospital Municipal Ernesto Che Guevara, em Maricá, por exemplo, dois radares estão separados por cerca de 700 metros.

Já entre os bairros Arsenal e Tribobó, em São Gonçalo, a distância aproximada é de 900 metros. Em Várzea das Moças, em Niterói, os equipamentos ficam a cerca de 600 metros um do outro.

Durante um percurso realizado entre São Gonçalo e Saquarema, trecho de aproximadamente 70 quilômetros, foram identificados ao menos 17 pontos de fiscalização eletrônica concentrados entre São Gonçalo e Maricá.

DER afirma que critérios são técnicos

Segundo o DER-RJ, a instalação dos radares em curtas distâncias atende a critérios de segurança viária adotados em áreas urbanizadas e com maior incidência de acidentes.

O órgão afirma que também foram considerados fatores como características da pista, fluxo de veículos e demandas apresentadas por moradores e usuários da rodovia.

A partir de Saquarema, entretanto, os equipamentos passam a aparecer com menor frequência. Em alguns trechos, existem apenas placas indicando fiscalização eletrônica, sem que os radares tenham sido instalados até o momento.

Setor turístico demonstra preocupação

Representantes do turismo também acompanham a situação com atenção. O presidente do Conselho de Turismo da Costa do Sol, Marco Navega, afirma que o assunto tem gerado apreensão entre empresários e gestores municipais.

Segundo ele, cerca de 90% dos visitantes da região chegam por via terrestre, tornando a RJ-106 uma rota estratégica para a economia local.

A preocupação do setor está relacionada principalmente à ausência de informações detalhadas sobre a distribuição dos equipamentos e aos possíveis impactos na mobilidade dos turistas que utilizam a estrada.

Segurança pública também entra no debate

Motoristas e profissionais que trabalham diariamente na rodovia afirmam que alguns radares foram instalados em áreas consideradas vulneráveis à ação de criminosos.

A principal preocupação é que a redução obrigatória da velocidade em determinados pontos possa aumentar o risco de assaltos e arrastões registrados em trechos da estrada.

A questão motivou um pedido formal da deputada estadual Zeidan (PT), que solicitou ao DER-RJ a reavaliação dos equipamentos posicionados em áreas consideradas críticas, especialmente nos municípios de Maricá e São Gonçalo.

Após reunião entre a parlamentar e a presidência do DER-RJ, ficou acertado que ajustes operacionais poderão ser realizados durante o período de testes, incluindo eventuais alterações nos horários de funcionamento de alguns radares.

A Polícia Militar informou que ampliou o policiamento nas rodovias estaduais neste ano com a criação de dois novos batalhões rodoviários e do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), além do reforço das equipes que atuam nos acessos e margens das estradas fluminenses.

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