Racha no PDT de Niterói: Vitor Junior lança pré-candidatura à Câmara Federal e ameaça deixar o partido

Disputa interna com Axel Grael expõe tensão no PDT, coloca Rodrigo Neves no centro da decisão e pode redefinir o cenário eleitoral de 2026 no município

A pré-candidatura do deputado estadual Vitor Junior à Câmara dos Deputados abriu uma crise inédita no PDT de Niterói. O movimento colocou em rota de colisão duas lideranças históricas da legenda no município e reacendeu a disputa pelo apoio do prefeito Rodrigo Neves, peça-chave na disputa eleitoral de 2026.

Em postagem nas redes sociais neste sábado (31), Vitor Junior escancarou um conflito interno no PDT, ao questionar a decisão do ex-prefeito Axel Grae de também disputar uma vaga de deputado federal este ano. No texto, ele reafirma o desejo de disputar uma vaga no Congresso Nacional, mas demonstra incômodo com o lançamento simultâneo da pré-candidatura de Grael pelo PDT, classificando o movimento como uma decisão individual que altera o equilíbrio interno da legenda.

Com trajetória política no município — onde foi vereador por três mandatos e eleito deputado estadual em 2022 com mais de 43 mil votos – Vitor destaca a atuação alinhada ao projeto político liderado pelo prefeito Rodrigo Neves, a quem atribui os avanços administrativos da cidade nos últimos anos. Segundo o parlamentar, a conjuntura atual impõe limites claros ao partido, já que, em sua avaliação, o PDT não teria condições de sustentar duas candidaturas competitivas ao mesmo cargo no mesmo município.

Diante desse cenário, Vitor Junior admitiu publicamente a possibilidade de deixar a sigla. Nos próximos dias, ele deve se reunir com Rodrigo Neves para discutir o futuro de sua pré-campanha e avaliar alternativas partidárias, mantendo como prioridade a continuidade do projeto político local e a ampliação da representação fluminense em Brasília.

A crise interna ganhou novos capítulos após a reação de Axel Grael. Em nota, o ex-prefeito afirmou compreender a posição do deputado, mas lamentou uma eventual saída do aliado histórico do PDT. Grael ressaltou que sua pré-candidatura é fruto de diálogos com a militância, dirigentes partidários e lideranças nacionais, incluindo o presidente da legenda, Carlos Lupi, além das direções estadual e municipal.

Segundo Grael, sua decisão representa uma continuidade natural de sua trajetória política, que inclui os mandatos de vice-prefeito e prefeito de Niterói. Ele reforçou que não vê conflito pessoal, mas sim a coexistência de dois projetos legítimos dentro do partido.

A resposta de Vitor Junior veio em tom mais crítico. Em nova manifestação, o deputado afirmou respeitar a trajetória de Axel Grael, mas defendeu que o PDT evite disputas diretas entre nomes fortes para não fragmentar a base eleitoral. Ele também fez críticas à condução interna do partido, citando a deputada estadual Martha Rocha, a quem acusou de não promover diálogo prévio com os pré-candidatos da legenda

Para Vitor, a definição clara de um único projeto seria a melhor estratégia para preservar a unidade partidária em Niterói.

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