Quem é Marcio Poncio, pastor preso em operação da PF por ligação com a ‘Máfia do Cigarro’

Pai da deputada Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ele ficou conhecido nas redes sociais pela exposição da família e pela atuação no setor do tabaco

O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Ele ganhou projeção nas redes sociais ao lado dos filhos Sarah Poncio, deputada estadual pelo Solidariedade, e do cantor Saulo Poncio.

Além da atuação religiosa, Márcio construiu carreira no ramo do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”. A Polícia Federal investiga se ele tem relações com a máfia do cigarro, esquema liderado por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, também alvo da ação.

Nas redes sociais, Marcio se apresenta como membro da Igreja da Nuvem e costuma compartilhar conteúdos sobre a família e a vida religiosa. Recentemente, divulgou que a mulher está à espera do terceiro filho do casal.

Nos últimos anos, o sobrenome Poncio se tornou um dos mais conhecidos da internet brasileira, impulsionado pela exposição da rotina familiar, pelo estilo de vida ostentado nas redes e por episódios envolvendo Sarah e Saulo, que frequentemente repercutiram entre os seguidores.

Tentativas na política

Márcio Poncio também tentou ingressar na vida pública. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pelo Rio, mas terminou a eleição como segundo suplente, com cerca de 33 mil votos.

Já em julho de 2025, anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em uma eleição suplementar convocada após a cassação do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). No entanto, acabou derrotado por Jonas Dico (Podemos).

Alvo da Polícia Federal

Márcio Poncio tinha um mandado de prisão preventiva pendente na quinta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais que teriam beneficiado integrantes do Comando Vermelho.

Além dele, também estão na mira: Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já detidos. O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral e pré-candidato a deputado estadual, foi alvo de mandados de busca e apreensão.

A nova etapa dá continuidade a uma investigação iniciada no fim de 2025 e que, ao longo dos últimos meses, passou a atingir políticos, integrantes do Judiciário e pessoas suspeitas de favorecer a facção criminosa com informações privilegiadas.

Os policiais federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.

Entenda a ação

Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder de Adilsinho indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio.

Segundo a Polícia Federal, o inquérito apura uma rede responsável por repassar dados sigilosos de operações policiais, comprometendo ações de combate ao crime organizado no estado.

Como a investigação começou

A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), tornou-se o principal alvo da investigação.

De acordo com a PF, ele teria vazado informações da Operação Zargun, realizada contra o Comando Vermelho, beneficiando o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção.

Ainda em dezembro, uma segunda fase da operação levou à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é que as informações sigilosas tenham saído do Judiciário antes de chegarem a Bacellar e, posteriormente, aos investigados ligados ao Comando Vermelho.

Prisões e avanço das apurações

Em março de 2026, a terceira fase da operação resultou em uma nova prisão de Rodrigo Bacellar, desta vez após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Foi nesse momento que a Polícia Federal passou a vincular formalmente a investigação à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, sustentando que o suposto esquema de vazamentos comprometia operações de segurança pública voltadas ao enfrentamento do crime organizado.

Nota dos envolvidos

Marco Antônio Cabral recebeu, na manhã desta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários“.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados, o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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