Apontada pelas autoridades como uma das principais integrantes da estrutura do Terceiro Comando Puro (TCP), Luana Rosa de Araújo, conhecida como Madrinha da Cidade Alta, foi presa nesta terça-feira (25) durante uma operação das polícias Civil e Militar contra a facção no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Segundo as investigações, ela seria braço direito de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do grupo criminoso.
De acordo com informações do Disque Denúncia, Luana é responsável pelo tráfico de drogas em Imbariê e na comunidade do Massapé, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na região, também teria exercido funções de gerência em áreas controladas pelo TCP.

Na Zona Norte do Rio, Madrinha seria uma das responsáveis pela estrutura criminosa na Cidade Alta, em Cordovil, e em Parada de Lucas. A proximidade com Peixão era tamanha que, segundo as investigações, ela teria recebido do traficante um fuzil cor-de-rosa como símbolo de confiança.
Expulsão de moradores e ataques a ônibus
Segundo as autoridades, Luana teria participado da expulsão de moradores de imóveis do condomínio Massapé, construído no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.
A suspeita é de que os imóveis tenham sido usados pelo grupo como pontos de venda de drogas e esconderijos.
Ela também é investigada por determinar ataques a ônibus em Caxias. A mulher possui, segundo as autoridades, diversos mandados de prisão expedidos pela Justiça e já foi alvo de alertas do Disque Denúncia.
Operação contra o TCP
A prisão ocorreu no terceiro dia de uma ofensiva das forças de segurança contra integrantes do TCP no Complexo de Israel. A operação foi conduzida pela 38ª DP (Brás de Pina) e teve como alvo suspeitos de diferentes crimes nas comunidades Cinco Bocas, Pica-Pau, Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral. Além de Luana, outras três pessoas foram presas.
Ao longo dos últimos meses, os investigadores levantaram informações para identificar integrantes da facção e determinar a função exercida por cada um dentro da organização criminosa.
Agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Comando de Operações Especiais (COE) participam da ofensiva.
Durante a ação, os policiais recolheram duas réplicas de metralhadoras calibre .50 e uma réplica de rifle de precisão, além de drogas. A Polícia Militar também impediu o roubo de duas carretas carregadas de cerveja.
Segundo as forças de segurança, as apreensões e ações realizadas nesta terça-feira representam um prejuízo estimado em R$ 200,8 mil para o crime organizado.
Agentes combatem o crime desde sexta passada
A ofensiva começou na sexta-feira (21), quando policiais militares entraram na Cidade Alta e comunidades próximas. Na ocasião, mais de dez toneladas de barricadas foram retiradas. Algumas estruturas tinham explosivos instalados. Os agentes prenderam quatro suspeitos e apreenderam sete fuzis, duas pistolas, duas granadas, um radiotransmissor, um colete e drogas.
Na segunda-feira (24), a operação avançou para Parada de Lucas e Vigário Geral, depois de a PM considerar estabilizada a Cidade Alta e áreas próximas. Mais de 200 policiais participaram da ação que, segundo a corporação, terminou com nove presos.
Durante a madrugada de segunda, a Avenida Brasil chegou a ser interditada depois que criminosos atacaram policiais. Em resposta à operação, traficantes incendiaram quatro caminhões na altura de Coelho Neto, nos dois sentidos da via, e pelo menos 20 ônibus precisaram alterar seus trajetos. Ninguém se feriu.
Ocupação
A Polícia Militar decidiu manter uma ocupação por tempo indeterminado na região conhecida como Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
A ocupação abrange áreas de Vigário Geral, Parada de Lucas e Cordovil. Segundo a PM, policiais permanecerão fazendo cerco e patrulhamento no entorno das comunidades de Parada de Lucas, Pica-Pau e Cinco Bocas, além de áreas de Cordovil.
A região é controlada pelo TCP, principal rival do Comando Vermelho, e recebeu o nome de Complexo de Israel a partir da simbologia adotada pelo grupo comandado por Peixão.
A corporação afirma que a presença policial não tem prazo determinado para terminar e busca “restabelecer a sensação de segurança da população”.
Impactos
A Secretaria Municipal de Educação informou que, na Cidade Alta, oito unidades escolares fecharam por conta das operações policiais. Em Parada de Lucas e Vigário Geral, sete escolas sofreram impactos. Nas comunidades Cinco Bocas e Pica-pau, três unidades interromperam as atividades.
Outras três unidades de Atenção Primária na região de Cordovil e Vigário Geral mantiveram o atendimento, porém as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, foram suspensas, conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde.







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