A Polícia Militar decidiu manter uma ocupação por tempo indeterminado na região conhecida como Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (24), após uma operação contra o Terceiro Comando Puro (TCP) que terminou com quatro suspeitos presos, dois fuzis apreendidos e uma reação de criminosos que provocou bloqueios na Avenida Brasil.
A ocupação abrange áreas de Vigário Geral, Parada de Lucas e Cordovil. Segundo a PM, policiais permanecerão fazendo cerco e patrulhamento no entorno das comunidades de Parada de Lucas, Pica-Pau e Cinco Bocas, além de áreas de Cordovil.
A região é controlada pelo TCP, principal rival do Comando Vermelho, e recebeu o nome de Complexo de Israel a partir da simbologia adotada pelo grupo comandado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.
A corporação afirma que a presença policial não tem prazo determinado para terminar e busca “restabelecer a sensação de segurança da população”.
Cerco será reforçado
A ocupação contará não apenas com os batalhões responsáveis pelo policiamento da região. Unidades especializadas também foram mobilizadas para manter a presença policial e controlar importantes corredores viários.
Entre elas estão o Grupamento Aeromóvel, o batalhão especializado no policiamento de vias expressas e o batalhão de motocicletas. As equipes deverão atuar também em vias estratégicas que passam pela região, como a Avenida Brasil e a Rodovia Presidente Dutra.
A operação terá ainda apoio de ambulâncias.
De acordo com a Polícia Militar, comunidades da região têm registrado barricadas e abertura de valas pelo tráfico para dificultar o acesso das forças de segurança.
“A região tem sido alvo de ações criminosas, como a instalação de barricadas, a abertura de valas pelo tráfico de drogas em vias de acesso e nas proximidades de residências, além de episódios de intolerância religiosa promovidos por integrantes de grupos criminosos”, informou a PM.
Operação teve reação do tráfico
A decisão de manter policiais na região ocorre após uma operação que mobilizou mais de 200 agentes nesta segunda-feira. Quatro suspeitos foram presos, e os policiais apreenderam dois fuzis, duas granadas, drogas e um rádio transmissor.
Um dos objetivos da ação foi conter a atuação do TCP em uma área marcada por crimes como roubos de veículos e cargas. A PM também afirmou que a operação buscou combater episódios de intolerância religiosa atribuídos a integrantes do grupo criminoso.
Durante a ofensiva policial, criminosos reagiram com bloqueios na Avenida Brasil. Dois caminhões foram incendiados, provocando a interrupção do trânsito nos dois sentidos da principal via expressa da cidade.
A ação desta segunda-feira foi a segunda etapa de uma operação iniciada na sexta-feira na Cidade Alta. Na primeira fase, segundo a PM, mais de nove veículos foram recuperados e mais de dez toneladas de barricadas foram retiradas.
Intolerância religiosa no alvo
As investigações apontam que integrantes do grupo criminoso perseguem praticantes de religiões de matriz africana nos territórios controlados pela facção.
O Complexo de Israel também se tornou conhecido pela utilização de referências religiosas e símbolos associados a Israel. Bandeiras do país e estrelas de Davi aparecem em diferentes pontos das comunidades controladas pelo TCP.
A simbologia está relacionada à identidade criada pelo grupo de Peixão e não representa qualquer vínculo da organização criminosa com o Estado de Israel.




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