A primeira cúpula entre Rússia e Estados Unidos desde o início da guerra da Ucrânia terminou sem acordo, mas com uma proposta polêmica na mesa. Durante o encontro de três horas realizado na sexta-feira (15), no Alasca, o presidente russo Vladimir Putin ofereceu encerrar o conflito caso Kiev aceite ceder os territórios de Donetsk e Lugansk, no leste do país — regiões atualmente ocupadas por Moscou.
Segundo o New York Times, a sugestão foi apresentada diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump, que depois relatou a proposta a Volodymyr Zelensky. Em entrevista à rede Fox News, Trump chegou a aconselhar o líder ucraniano a considerar o acordo.
“A Rússia é uma grande potência, e eles [os ucranianos], não. Faça o acordo. Você precisa fazer o acordo”, disse o republicano.
Resistência ucraniana e reação europeia
Zelensky reafirmou nos últimos dias que não abrirá mão de nenhum território e já anunciou viagem a Washington, onde se reunirá com Trump na segunda-feira (18). Líderes europeus também foram convidados para o encontro.
A União Europeia, em resposta à movimentação diplomática, anunciou neste sábado (16) que endurecerá sanções contra Moscou e condenou qualquer alteração forçada de fronteiras. “As fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força”, diz comunicado oficial.
O que Moscou coloca em jogo
De acordo com a imprensa americana, a Rússia estaria disposta a retirar suas tropas de todas as outras áreas sob ocupação, desde que Donetsk e Lugansk — distritos que compõem o Donbass — sejam incorporados formalmente ao território russo. Putin já havia reconhecido a região como independente em fevereiro de 2022, dias antes da invasão em larga escala da Ucrânia.
Clima da reunião
Apesar da ausência de acordo, os dois líderes trocaram elogios. Putin classificou o diálogo como “construtivo” e disse esperar que “a compreensão mútua traga paz à Ucrânia”. Ele também ressaltou o interesse em ampliar relações comerciais com os EUA.
Trump, por sua vez, afirmou que o encontro foi “muito produtivo” e que os dois países “concordaram na maioria dos pontos”. Ainda assim, manteve cautela: “Acho que ele [Putin] fará um acordo, mas nada está garantido. Será como uma partida de xadrez”.
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), a Rússia mantém hoje controle militar sobre cerca de 20% do território ucraniano. Nenhum dos lados, até agora, deu sinais de abrir mão dessas áreas.






Deixe um comentário