Zelensky admite que Ucrânia não tem força para vencer a guerra e propõe ‘cessão parcial’ de territórios ocupados pela Rússia

Presidente ucraniano busca adesão parcial à Otan, reconhecendo apenas 80% do território do seu país

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, apresentou uma nova estratégia para encerrar a guerra com a Rússia: buscar a adesão parcial da Ucrânia à Otan, reconhecendo apenas os 80% do território controlados por Kiev, e adiar a negociação dos territórios ocupados. “Nosso Exército não tem força para retomar os territórios conquistados. Esta é a verdade”, declarou à Kyodo News, marcando um ponto de inflexão em seu discurso.

Zelensky sugeriu congelar a guerra nas linhas atuais e ceder temporariamente regiões ocupadas, como a Crimeia e partes do leste e sul do país, para focar em negociações futuras. Em troca, pede que a Otan emita um convite formal para sua entrada na aliança. A proposta será debatida na reunião de chanceleres da Otan, nos dias 3 e 4 de dezembro.

Embora a ideia de fatiamento territorial tenha gerado resistência em Bruxelas e Moscou, Zelensky busca pressionar a Otan para discutir um cenário antes tratado como especulativo. O desafio reside no artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte, que obriga os membros a se defenderem mutuamente em caso de ataque, o que poderia levar a uma guerra direta com a Rússia.

No cenário russo, o Kremlin rejeita um congelamento das linhas atuais, citando avanços em Donetsk e outros territórios. Entretanto, bastidores indicam que emissários de ambos os lados discutiram possíveis acordos em Doha, enquanto políticos locais em Donetsk relataram contatos frequentes com elites de Kiev.

A mudança de postura de Zelensky também ocorre sob a expectativa da chegada de Donald Trump ao poder nos EUA, o que poderia alterar o apoio ocidental à Ucrânia. Enquanto isso, a Rússia mantém ataques massivos, inclusive contra a infraestrutura energética ucraniana, e intensifica retórica beligerante.

Nesta segunda-feira, Zelensky recebeu o chanceler alemão Olaf Scholz, que prometeu um novo pacote militar de R$ 4,1 bilhões. A proposta ucraniana, porém, enfrentará desafios complexos, sobretudo devido às tensões entre os atores globais, como China e Brasil, que defendem uma conferência de paz.

Com informações da Folha de S.Paulo

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