A PUC-Rio deu um passo inédito em sua história ao oficializar a criação da primeira bolsa perpétua da universidade. A iniciativa foi viabilizada por uma doação de R$ 2,5 milhões feita pelo casal de ex-alunos Belkiss Ferraz de Castro e Carlos Infante de Castro ao Fundo Patrimonial (Endowment) da instituição.
O anúncio foi realizado nesta quinta-feira (2), durante cerimônia que reuniu o reitor da universidade, padre Anderson Antonio Pedroso, a presidente da Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio (Alumni PUC-Rio), Barbara Cristhian, além dos doadores e convidados.
Como funcionará a bolsa perpétua
Diferentemente de bolsas convencionais, a bolsa perpétua preserva integralmente o valor doado. Apenas os rendimentos gerados pelos investimentos do Fundo Patrimonial serão utilizados para custear estudantes, garantindo que o benefício possa ser mantido por tempo indeterminado.
O primeiro aluno contemplado deverá ingressar na universidade por meio do vestibular de 2027.
A iniciativa será destinada a estudantes de baixa renda aprovados em cursos das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Além das mensalidades, a bolsa também cobrirá despesas de permanência, incluindo alimentação, transporte e, quando necessário, moradia.
Incentivo ao acesso ao ensino superior
Segundo o reitor da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, a doação representa um gesto de solidariedade capaz de beneficiar sucessivas gerações de estudantes. Para ele, iniciativas desse tipo fortalecem a missão da universidade ao ampliar o acesso ao ensino superior para jovens em situação de vulnerabilidade.
A presidente da Alumni PUC-Rio, Barbara Cristhian, afirmou que a expectativa é que o exemplo estimule outros ex-alunos e apoiadores a contribuírem para o fortalecimento do Fundo Patrimonial.
Ela destacou que a primeira bolsa perpétua demonstra como uma única doação pode produzir impacto duradouro na formação de novos profissionais.
Fundo Patrimonial mira expansão
A doação integra a estratégia da universidade para ampliar os recursos permanentes destinados a bolsas, pesquisa e inovação.
Relançado em 2024, o Fundo Patrimonial da PUC-Rio já reúne cerca de R$ 7 milhões. A meta da instituição é alcançar R$ 35 milhões até 2028.
Desde 2019, a Rede Alumni informa ter mobilizado mais de R$ 30 milhões para projetos de impacto imediato e para a formação do patrimônio permanente da universidade.
Além da nova bolsa perpétua, a PUC-Rio mantém programas de permanência estudantil, como a Bolsa Permanência Chico Müssnich, voltada aos estudantes de Direito, e a Bolsa Permanência Alumni PUC-Rio, destinada a alunos contemplados pelos programas socioeconômicos da instituição.
O modelo de fundos patrimoniais ganhou respaldo legal no Brasil com a Lei nº 13.800/2019, que regulamenta a gestão desses patrimônios permanentes. Inspirado em universidades internacionais, o sistema preserva o capital investido e utiliza apenas os rendimentos para financiar bolsas, pesquisas e projetos acadêmicos de forma contínua.






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