PT e PL adotam cautela após Lula ampliar vantagem sobre Flávio Bolsonaro no Datafolha

Caso “Dark horse” amplia rejeição a Flávio Bolsonaro e muda cenário contra Lula em simulação de segundo turno

O novo levantamento do instituto Datafolha acendeu um alerta no entorno do senador Flávio Bolsonaro e reposicionou o cenário da disputa presidencial. Após a repercussão do caso “Dark horse”, envolvendo conversas do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre financiamento para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, os números mostram desgaste na pré-candidatura do filho do ex-chefe do Palácio do Planalto.

Em apenas uma semana, o cenário de empate técnico no segundo turno entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu lugar a uma vantagem de quatro pontos para o petista. Agora, Lula aparece com 47% contra 43% do senador. Apesar disso, o resultado ainda configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

No primeiro turno, a mudança foi ainda mais significativa. Flávio caiu de 35% para 31%, enquanto Lula subiu de 38% para 40%. A diferença entre os dois, que era de três pontos, saltou para nove.

Desgaste após revelações

A piora nos índices ocorre dias depois da divulgação de mensagens e informações relacionadas ao caso “Dark horse”. O episódio expôs contatos de Flávio com Daniel Vorcaro e gerou desconforto dentro do próprio PL, além de aliados do Centrão e setores empresariais simpáticos à candidatura do senador.

Integrantes da direita demonstraram irritação principalmente porque, segundo aliados, Flávio vinha assegurando internamente que não existiam fatos novos capazes de causar desgaste eleitoral. A revelação de áudios e do encontro com o banqueiro quando ele já utilizava tornozeleira eletrônica ampliou a crise política.

Além da queda nas intenções de voto, o senador voltou a liderar o ranking de rejeição do levantamento. O índice passou de 43% para 46%, superando numericamente Lula, que aparece com 45%.

Michelle segue como alternativa

Apesar da pressão, o núcleo político de Jair Bolsonaro e a direção do PL descartam, por enquanto, substituir Flávio na disputa presidencial. Ainda assim, a possibilidade de mudança continua sendo discutida nos bastidores, com prazo estimado para definição no início de junho.

A principal alternativa segue sendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O Datafolha voltou a testar cenários com o nome dela. Em um eventual segundo turno contra Lula, Michelle aparece com 43%, enquanto o presidente marca 48%.

No primeiro turno, porém, o desempenho dela é mais distante. Michelle registra 22% das intenções de voto, contra 41% de Lula.

Mesmo assim, sua taxa de rejeição permanece abaixo da registrada pelos dois principais adversários. Ela aparece com 31%.

Direita ainda não encontrou substituto

Apesar da queda de Flávio, outros nomes da direita ainda não conseguiram avançar de forma significativa nas pesquisas. O governador Ronaldo Caiado aparece com 4%, enquanto Renan Santos soma 3%.

Já o governador Romeu Zema, que fez críticas públicas a Flávio após o caso “Dark horse”, manteve os mesmos 3% registrados anteriormente. Samara Martins também alcançou 3%.

Outros nomes citados no levantamento aparecem em patamares menores, sem ultrapassar a marca de 2% das intenções de voto.

Avaliação nos bastidores

Mesmo com o impacto negativo da pesquisa, aliados de Flávio avaliam que o dano ainda pode ser revertido. A interpretação predominante dentro do PL é de que o desgaste foi forte, mas insuficiente para inviabilizar a candidatura.

O senador Marcos Rogério afirmou que o resultado ficou abaixo do impacto esperado por adversários políticos. Segundo ele, o cenário ainda está longe de representar uma derrota definitiva.

A leitura no entorno bolsonarista é de que parte do eleitorado apenas se afastou momentaneamente após a repercussão das denúncias, mas ainda pode retornar ao senador nos próximos meses, dependendo da narrativa construída sobre o caso.

PT mantém cautela

Mesmo com os números favoráveis, a pré-campanha petista trata os resultados com cautela. A avaliação é de que o eleitor que deixou de apoiar Flávio não migrou automaticamente para Lula.

Integrantes do governo entendem que parte desse eleitorado permanece no campo anti-Lula e pode voltar ao senador caso o desgaste diminua ao longo da campanha.

Por isso, o PT intensificou a ofensiva digital contra Flávio nas últimas semanas. A estratégia vem sendo coordenada pela jornalista Nicole Briones na sede nacional do partido, em Brasília.

Paralelamente, o governo federal ampliou medidas com foco social e econômico, incluindo programas de crédito, renegociação de dívidas e iniciativas voltadas para categorias específicas, como taxistas e motoristas de aplicativo.

Cenário segue indefinido

Para especialistas, o principal fator da disputa continua sendo o elevado índice de rejeição dos dois polos políticos. O cientista político Jairo Pimentel avalia que o caso “Dark horse” interrompeu a trajetória de crescimento de Flávio, mas ainda não alterou estruturalmente a polarização da disputa.

Segundo ele, o episódio devolveu vantagem a Lula, mas não foi suficiente para definir o resultado eleitoral antecipadamente.

O levantamento do Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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