PT amplia pressão para ter Simone Tebet como vice de Haddad em São Paulo

Ex-ministra lidera cenários testados em pesquisas internas, mas mantém foco na disputa pelo Senado; definição da chapa deve ficar para o período das convenções.

Faltando pouco mais de um mês para o início das convenções partidárias, a definição da chapa de esquerda para a disputa pelo governo de São Paulo segue em aberto. Nos bastidores, uma ala do PT paulista aumentou a pressão para que a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), aceite ocupar a vaga de vice na candidatura de Fernando Haddad (PT).

A movimentação ganhou força após pesquisas internas da campanha indicarem que Tebet teria o melhor desempenho eleitoral entre os nomes avaliados para compor a chapa. Integrantes do partido avaliam que a ex-ministra agrega votos importantes ao projeto petista e amplia o alcance da candidatura em diferentes segmentos do eleitorado.

Segundo interlocutores da campanha, além do potencial eleitoral apontado pelos levantamentos, o fato de Tebet ser mulher e possuir trajetória política nacional são considerados diferenciais estratégicos para a disputa estadual.

Pesquisas internas fortaleceram nome de Tebet

De acordo com fontes ligadas à campanha de Haddad, pesquisas realizadas nos últimos meses mostraram que Simone Tebet obteve resultados superiores aos demais nomes testados para a vaga de vice-governador.

Nos cenários avaliados, a ex-ministra teria apresentado desempenho melhor do que o ex-ministro Márcio França (PSB), a ex-ministra Marina Silva (Rede), a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o ex-deputado Marcelo Barbieri (PDT) e também a pecuarista Teresa “Teka” Vendramini (PDT), que chegou a ser cogitada para a composição da chapa.

O resultado surpreendeu integrantes da campanha, que passaram a enxergar Tebet como uma das opções mais competitivas para fortalecer a candidatura petista ao Palácio dos Bandeirantes.

Ex-ministra mantém foco na disputa pelo Senado

Apesar das articulações, Simone Tebet já sinalizou que sua prioridade continua sendo uma candidatura ao Senado por São Paulo.

Para viabilizar esse projeto político, ela promoveu mudanças importantes nos últimos meses, incluindo a transferência de seu domicílio eleitoral para o estado e a troca de partido, deixando o MDB para se filiar ao PSB.

Mesmo diante da resistência da ex-ministra, setores do PT acreditam que uma eventual conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia reabrir as negociações. Até o momento, porém, não há encontro previsto entre os dois para tratar do assunto.

Márcio França também é cotado para a vice

Outro nome que permanece no radar da aliança é o do ex-governador e ex-ministro Márcio França. Parte do PT defende sua indicação para a vice, argumentando que ele possui forte identificação com a política paulista e uma longa trajetória dentro do PSB.

Nos bastidores, entretanto, França tem demonstrado pouca disposição para assumir a vaga. Aliados afirmam que ele considera natural ser priorizado na composição da chapa por sua atuação histórica no estado e por estar há mais tempo na legenda.

Disputa pelo Senado influencia negociações

As conversas sobre a composição da chapa também passam pela definição das candidaturas ao Senado. Além de Simone Tebet e Márcio França, Marina Silva já manifestou interesse em disputar uma das vagas.

A Federação PSOL-Rede tem defendido participação na chapa majoritária e cobra espaço nas negociações para evitar que as duas vagas ao Senado fiquem concentradas no PSB.

Diante das divergências e negociações em curso, a expectativa entre dirigentes partidários é que a definição final ocorra apenas próximo ao período das convenções, quando as candidaturas serão oficialmente registradas.

Enquanto isso, o principal adversário da esquerda no estado já tem agenda marcada. A convenção do Republicanos que deve oficializar a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas está prevista para o dia 1º de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista.

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