PSD muda de posição e agora propõe voto aberto, se eleição para mandato-tampão for indireta

Partido altera estratégia no STF diante de cenário desfavorável na Alerj e risco de derrota

O PSD mudou seu posicionamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a defender o voto aberto em uma eventual eleição indireta para o governo do Rio de Janeiro. A guinada ocorre cerca de um mês após a sigla sustentar o voto secreto e reflete a avaliação interna de que o grupo ligado ao ex-prefeito Eduardo Paes enfrenta dificuldades para vencer na Assembleia Legislativa (Alerj), informa O Globo.

Durante o julgamento iniciado nesta semana, o advogado do partido, Thiago Fernandes Boverio, afirmou que, caso o STF opte pela eleição indireta, o ideal é garantir transparência no processo. A declaração contrasta com manifestação anterior do próprio PSD, que havia defendido o sigilo como forma de preservar a liberdade dos parlamentares.

Mudança de estratégia política

Nos bastidores, aliados de Paes consideravam o voto secreto como a principal chance de reverter a vantagem do grupo liderado pelo deputado Douglas Ruas (PL). Em março, Ruas obteve 45 votos ao ser eleito presidente da Alerj, em uma votação posteriormente anulada pela Justiça por questões formais, mas interpretada como termômetro político.

A leitura predominante é que, mesmo sob sigilo, o cenário seguiria desfavorável ao PSD. A votação anulada também evidenciou divisões internas, com parlamentares da própria legenda votando contra a orientação do partido.

Novo cenário após condenação

A mudança de postura também ocorre após a condenação do ex-governador Cláudio Castro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o PSD passou a defender a realização de eleições diretas, com participação popular, em vez de uma escolha indireta pela Alerj.

Paralelamente, o partido tentou viabilizar uma candidatura competitiva no Legislativo estadual. O deputado Chico Machado chegou a negociar filiação à sigla, mas acabou migrando para o PL, reforçando o grupo adversário.

Risco de dissidências internas

Outro fator que pesou na reavaliação do PSD foi a possibilidade de dissidências. Na eleição para a presidência da Alerj, deputados da própria legenda contrariaram a orientação partidária, indicando fragilidade na articulação interna.

Além disso, parlamentares recém-chegados ao PSD e ao MDB — aliado de Paes — são considerados próximos ao grupo de Ruas. Reservadamente, lideranças políticas admitem que o ex-prefeito pode enfrentar derrota na Assembleia, independentemente do modelo de votação adotado.

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