Líderes das principais potências do Ocidente conversaram ontem (11) para tentar encontrar uma saída para a a crise que se instalou na Ucrânia, com o temor de uma invasão russa – a qual os Estados Unidos voltaram a dizer que pode acontecer “a qualquer momento”.
Informações da Casa Branca indicam que o governo russo definiu que a invasão da Ucrânia ocorrerá na próxima quarta-feira (16/2). A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times neste sábado (12/2).
Em meio ao aumento das tensões no Leste Europeu, falaram-se por telefone Joe Biden (EUA), Boris Johnson (Reino Unido), Emmanuel Macron (França) e Olaf Scholz (Alemanha), além dos chefes de Estado de Polônia, Itália e Canadá, bem como o secretário-geral da Otan, a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu.
Em paralelo, o conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, voltou a falar, sem citar evidências específicas, que a Rússia já reuniu forças suficientes para lançar uma ofensiva militar que, segundo ele, poderia ocorrer antes mesmo do fim das olimpíadas de inverno de Pequim, que terminam no dia 20.
Sullivan ainda detalhou que um eventual ataque começaria por ar, e a Casa Branca estima que, em caso de invasão na fronteira, a capital Kiev poderia ser tomada pelos russos.
O secretário de Estado, Antony Blinken, também repetiu a promessa de “apoio robusto” à Ucrânia. Com esse cenário, o governeo amricano deve deslocar mais 3.000 soldados ara a Polônia, segundo disseram autoridades à agência de notícias Reuters.
Moscou nega intenções de invadir o país vizinho, embora tenha posicionado mais de 100 mil soldados e equipamentos militares em diferentes pontos próximos à fronteira. Por outro lado, o Kremlin diz que pode tomar “ações militares”, sem especificar quais, se o Ocidente não aceitar garantias de segurança, dentre as quais a promessa de que a Ucrânia jamais vai ingressar na aliança militar do bloco — exigência que os EUA consideram inaceitável.
Em meio ao impasse, Biden e Putin devem se falar por telefone mais uma vez, hoje, confirmaram autoridades de lado a lado.
Como o governo americano não apresentou evidências de que um ataque seja mesmo iminente, sobraram comparações com a invasão do Iraque em 2003, sob a premissa, jamais confirmada, de que havia armas químicas no país.
Sullivan respondeu às comparações ontem. “[À época] eram informações sobre intenções, sobre coisas escondidas, que não podiam ser vistas; agora estamos falando de mais de 100 mil tropas ao longo da fronteira”, disse. “Você pode acreditar nos seus próprios olhos.”
Outro temor de uma guerra controversa assombra a Casa Branca, a desastrosa retirada de ttropas do Afeganistão.
Por isso, o governo Biden tem pedido que os americanos deixem a Ucrânia o mais rápido possível, e o presidente afirmou que não vai enviar tropas para resgatar cidadãos em caso de um ataque russo. “As coisas podem ficar loucas rapidamente”, disse o presidente à rede americana NBC News.
Imagens de satélite publicadas por uma empresa privada dos EUA mostraram novas unidades militares russas em vários locais próximos à fronteira da Ucrânia.
Kiev voltou a criticar nesta sexta os pedidos ocidentais de evacuação, tidos como alarmistas, e afirmou que “não há evidência de mudança radical na situação”. A Ucrânia tem repetido que quer uma saída diplomática, e, no último fim de semana, chamaou as previsões de invasão iminente de “apocalípticas”.
Não foi o suficiente para acalmar ânimos. Com a estridência se espalhando, Japão, Coreia do Sul e Holanda também pediram nesta sexta que seus cidadãos deixem o país imediatamente. A missão diplomática holandesa deve ser retirada de Kiev e movida para Lviv, no oeste, longe da fronteira russa. Israel também disse que está retirando a missão diplomática da capital por causa “do agravamento da situação”. Depois, Reino Unido e Estônia anunciaram medidas similares. Já na manhã de sábado (12), noite de sexta no Brasil, foi a vez de Austrália e Nova Zelândia.
A Comissão Europeia, por outro lado, anunciou que não vai retirar seus quadros do país.
Na reunião de líderes, outros alertas renovados, nas palavras do alemão Olaf Scholz, foram os de “rápidas sanções” a Moscou em caso de invasão e os de “esforços diplomáticos para persuadir a Rússia a ir para a desescalada e […] impedir uma guerra na Europa”.
(De agências internacionais e da Folha)






Deixe um comentário