Uma publicação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais foi interpretada nas redes como uma provação ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e escancarou o desgaste entre integrantes do grupo. A postagem mostrava banana frita acompanhada da frase “Ele ama”, gesto que aliados interpretaram como indireta a Eduardo, conhecido pelo apelido de “bananinha”.
A publicação ocorreu um dia após Eduardo criticar Michelle e o deputado Nikolas Ferreira por suposta falta de apoio à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, ampliando a tensão entre lideranças do campo conservador.
Indireta nas redes amplia conflito
Na véspera da postagem, Eduardo afirmou que Michelle e Nikolas estariam alinhados politicamente e não demonstrariam apoio público ao irmão
“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que um, lado a lado, compartilham o outro e apoiam o outro na rede social, só estão com uma amnésia aí”, declarou. Ele completou: “Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio”
A publicação da banana frita foi interpretada por aliados do deputado como resposta direta às críticas. Eduardo reagiu repostando mensagem em tom político: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”
Disputa política antecede troca de ataques
O episódio ocorre em meio a divergências dentro do Partido Liberal sobre a condução das mobilizações e prioridades do grupo. O estopim político da crise foi a convocação feita por Nikolas para um ato com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”
Parlamentares paulistas reagiram, defendendo que a manifestação priorizasse a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a derrubada de vetos legislativos. O impasse levou à criação de articulações paralelas para organizar o protesto, evidenciando divisão interna
O deputado Mário Frias chegou a criticar a ausência da pauta da anistia na convocação inicial: “A primeira convocação foi muito clara. Fora ministros [do STF], fora Lula. Quando vi que não tinha nenhuma menção [à anistia aos condenados por golpismo], me preocupou”, informa o Diário do Centro do Mundo.
Vídeo e reações ampliam desgaste
Após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Nikolas saiu em defesa de Michelle e afirmou que Eduardo “não está bem”. A crise ganhou novo capítulo quando foi divulgado um vídeo em que Eduardo comenta a situação do pai
Na gravação, compartilhada pelo ex-assessor Pablo Almeida, o deputado diz: “Pode prender meu pai. Talvez vá condená-lo à morte, lamento. É triste? Com certeza”. Aliados afirmaram que o trecho foi retirado de contexto
O vereador Carlos Bolsonaro reagiu afirmando que haveria uma tentativa interna de enfraquecer os filhos do ex-presidente, indicando que a disputa ultrapassa desentendimentos pontuais e envolve o controle político do grupo
Racha expõe disputa por liderança
A sequência de provocações públicas, divergências sobre atos e disputas por apoio eleitoral indica um cenário de fragmentação no bolsonarismo. O episódio da banana frita, embora simbólico, tornou visível a competição por protagonismo dentro do movimento e a disputa pela condução política do campo conservador






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