Após horas de medo, tensão e incerteza provocadas pelos ataques dos Estados Unidos na madrugada anterior, milhares de venezuelanos voltaram às ruas de Caracas neste domingo para protestar contra a intervenção estadunidense e exigir a libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sequestrados por agentes dos EUA.
De acordo com os organizadores, cerca de dez mil pessoas se concentraram nas imediações do Palácio de Miraflores, no centro da capital. O ato marcou o primeiro grande protesto organizado desde os ataques, após manifestações pontuais e dispersas ocorridas no dia anterior, quando a presença de militantes armados e o clima de insegurança afastaram parte da população.
Símbolos e palavras de ordem
Os apoiadores exibiam bandeiras da Venezuela, cartazes com os rostos de Maduro e do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, além de imagens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as mensagens, pedidos para que os EUA devolvessem Maduro e acusações direcionadas a Trump, descrito nos cartazes como “delinquente e sequestrador”.
O protesto contou com estrutura de som, palco montado em frente ao palácio presidencial e uma sequência de discursos inflamados em defesa do governo venezuelano e em repúdio à ação dos EUA. Apesar do tom duro, a manifestação transcorreu de forma pacífica, sem registros de confrontos ou episódios de violência.
Clima de confiança após horas de incerteza
Relatos dos participantes indicam que o clima nas ruas foi diferente do registrado no dia anterior. Se na véspera o medo manteve muitos venezuelanos em casa, neste domingo a percepção foi de maior confiança. Manifestantes afirmaram que a divulgação de informações sobre o que havia ocorrido durante a madrugada trouxe mais clareza e segurança sobre como agir.
Segundo eles, a organização do ato e a presença de famílias inteiras simbolizaram uma tentativa de retomar o controle do espaço público em meio à crise.
Discursos em defesa do regime
Entre as falas que mais mobilizaram o público, destacou-se a da militante Génesis Josef Garvett Romero, presidente da Missão Venezuela Jovem e figura influente nas redes sociais. Representando a juventude chavista, ela subiu ao palco para defender o que chamou de “lealdade incondicional” ao presidente.
“Ele é leal a este povo. Lealdade se paga com lealdade. E nós seremos leais a ele e à sua esposa, a primeira combatente, Cilia Flores.”
Génesis afirmou ainda que o dia 3 de janeiro de 2026 ficará marcado na história do país e do mundo. “Nunca vamos esquecer o que significou esse dia para a humanidade”, declarou. “Venceremos. Estamos prontos para vencer, com unidade das forças revolucionárias, populares, militares e policiais, em defesa da soberania.”
Além do protesto principal, vigílias vêm sendo realizadas desde o dia anterior nas imediações do Palácio de Miraflores. Durante o protesto, os participantes reforçaram a fidelidade ao legado de Chávez e prometeram manter a mobilização enquanto Maduro e Cilia Flores permanecerem detidos fora do país, sinalizando que novos atos devem ocorrer nos próximos dias.







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