Promotor chama Jairinho de ‘psicopata severo’ e faz dura acusação contra Monique no júri

Na fase decisiva do julgamento, Ministério Público sustenta que Dr. Jairinho usava poder político para intimidar pessoas e questiona a versão apresentada por Monique Medeiros sobre a relação com o ex-vereador

O julgamento que vai definir o destino de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros entrou nesta quarta-feira (3) em uma de suas etapas mais aguardadas. No décimo dia de sessões, acusação e defesa iniciaram os debates finais diante dos jurados responsáveis por decidir o desfecho do caso Henry Borel.

Durante sua sustentação, o promotor Fábio Vieira fez declarações contundentes sobre os réus. Segundo ele, Jairinho apresentaria traços de “psicopatia severa”, enquanto Monique teria características de narcisismo e megalomania. As afirmações foram feitas ao longo da exposição da acusação, que busca convencer os jurados da responsabilidade dos dois pela morte do menino Henry Borel.

O representante do Ministério Público argumentou que o ex-vereador utilizava sua influência política e econômica para exercer poder sobre pessoas ao seu redor. Vieira afirmou que havia temor em relação à figura de Jairinho e que esse contexto precisaria ser considerado durante a análise do caso.

Poder e influência

Ao abordar o comportamento do ex-parlamentar, o promotor sustentou que Jairinho se aproximava de mulheres por meio de sua posição de destaque e, posteriormente, praticava atos de violência. Segundo ele, os relatos reunidos ao longo da investigação e do julgamento apontariam para um padrão de agressões contra mulheres e crianças.

Vieira também destacou o depoimento de Kaylane Pereira, filha de uma ex-companheira de Jairinho. De acordo com a acusação, o testemunho reforçaria a tese de que o ex-vereador já havia demonstrado comportamentos violentos anteriormente.

Questionamentos sobre Monique

Na mesma sustentação, o promotor voltou suas críticas para Monique Medeiros. Ele questionou a alegação da ré de que não teria percebido sinais de comportamento abusivo por parte de Jairinho durante o relacionamento.

Entre os pontos citados pela acusação estão episódios narrados pela própria Monique ao longo do processo, incluindo relatos de ciúmes excessivos, monitoramento do celular e uma suposta invasão à sua residência. Para o Ministério Público, esses fatos seriam incompatíveis com a afirmação de que ela não identificava características abusivas no então companheiro.

Reta final do julgamento

A fase de debates marca o encerramento da instrução processual. Acusação e defesa têm a oportunidade de apresentar seus últimos argumentos antes de os jurados responderem aos quesitos que definirão a condenação ou absolvição dos réus.

Considerado um dos julgamentos mais longos da história recente do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o caso pode ter seu desfecho ainda nesta quarta-feira. Nos dias anteriores, Monique Medeiros afirmou acreditar que Jairinho foi o responsável pela morte de Henry. Já o ex-vereador negou as acusações e sustentou que nunca agrediu a criança.

Com a conclusão dos debates, a expectativa se volta para a deliberação dos jurados, que decidirão o futuro dos dois acusados no caso que mobiliza o país desde 2021.

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