Projeto de empréstimo à Prefeitura é aprovado na Câmara do Rio; valor cai para R$ 2,2 bi

Na segunda discussão a proposta obteve 38 votos favoráveis e 12 contrários.

A Câmara do Rio aprovou na sessão plenária desta terça-feira (8), o Projeto de Decreto Legislativo 18/2025, enviado à Casa pelo Poder Executivo, que autoriza a prefeitura a contratar empréstimos para investir em segmentos como mobilidade urbana, infraestrutura, drenagem, saneamento e habitação. O município solicitava a contratação de operações de crédito de até R$ 6 bilhões, mas duas emendas aprovadas pelos vereadores reduzem este valor limite para R$ 2,2 bilhões e obrigam ainda a prestação de contas detalhada sobre a aplicação dos recursos. Na segunda discussão a proposta obteve 38 votos favoráveis e 12 contrários. O vereador Jorge Felippe não participou da votação.

A emenda que reduz o valor limite dos empréstimos para quase um terço do valor pedido pela prefeitura é de autoria do presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), e dos vereadores Rosa Fernandes (PSD), Leniel Borel (PP), Inaldo Silva (Republicanos), Jair da Mendes Gomes (PRD), Talita Galhardo (PSD) e Willian Coelho (DC). Os parlamentares justificam que a redução é necessária para assegurar, a longo prazo, o equilíbrio entre as receitas e as despesas do município. O texto se baseia num estudo técnico realizado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Fiscalização Financeira da Casa, que aponta para um cenário que impõe restrições à ampliação do endividamento da prefeitura

Já a segunda emenda foi pensada para garantir o máximo de transparência aos cariocas sobre as operações de crédito solicitadas pelo Poder Executivo. De autoria do presidente da Casa, vereador Carlo Caiado (PSD), o texto impõe regras para a prestação de contas.

A emenda determina que, 30 dias após a formalização de qualquer operação de crédito, o Poder Executivo deverá enviar à Câmara Municipal um relatório contendo informações sobre onde os recursos provenientes de tal contratação serão utilizados, contendo as obras, projetos ou rubricas orçamentárias contempladas. Além disso, a prefeitura também deverá enviar semestralmente à Câmara do Rio uma prestação de contas detalhada, informando a execução orçamentária de qualquer recurso proveniente de operações de contratações de crédito previstas no PDL 18/2025.

Contrário à proposta, o vereador Rogério Amorim (PL) afirmou que a contratação do empréstimo teria como motivação a campanha de Paes ao Governo do Estado em 2026. “O dinheiro é pra investir na turnê dos Menudos dele no Estado (Alerj) e Câmara Federal. A prefeitura gasta 70% do orçamento com cabo eleitoral enquanto a população sofre sem médico, professor ou mediador nas escolas”, criticou Amorim.

A líder do Psol, Thais Ferreira, também defender a tese do possível uso eleitoreiro dos recursos, caso o empréstimo seja autorizado. Segundo a parlamentar, o mesmo teria acontecido quando foi concedido crédito para ser aplicado no BRT, que foi usado como propaganda política.

Rick Azevedo (Psol) aproveitou a discussão sobre a proposta de empréstimo para alfinetar Dr. Gilberto (SDD). Na primeira votação do projeto da Lei Orgânica, Dr. Gilberto o criticou, sem citar nome, e sugeriu que o presidente Carlo Caiado o indicasse a Escola do Legislativo, para que entendesse o papel da Câmara Rio, acusando o Psolista de trazer discussões como a escala 6×1, assunto que também entrou no discurso de Azevedo, confrontando o desejo do colega e presidente da Comissão de Constituição e Redação. “Sou novato sim e quero entender que Casa do Povo é essa que não defende o interesse do povo”, cutucou Rick.

O pedido, inicialmente de R$ 6 bilhões, tramitou em caráter de urgência, mas teve duas votações adiadas na semana passada, sendo a última por falta de quórum. Desde que foi anunciado, os vereadores se movimentaram para emendar propostas de alterações. O PL, liderado por Rogério Amorim, deseja um valor ainda menor: R$ 500 milhões.

Ainda na semana passada, a Secretaria Municipal de Fazenda fez uma apresentação sobre o uso dos recursos, mas, segundo vereadores da oposição não especificaram como seriam aplicados e nem teria explicado qual seria a fonte do financiamento.

Em toda legislatura passada, Paes obteve R$ 5,2 bilhões e, na manhã de hoje, mostrou que o Rio teve um superávit de R$ 2,7 bi no terceiro quadrimestre de 2024 (de setembro a dezembro), porém apresentou aumento nos gastos com pessoal de 43,4% em relação ao mesmo período do ano retrasado, que motivará um requerimento de informação do líder do PL, Rogério Amorim.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading