Lançado na última segunda-feira (17) pelo governador Cláudio Castro, o programa Barricada Zero pode enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A iniciativa é do deputado Giovani Ratinho (Solidariedade), que já reuniu 35 assinaturas, 11 a mais do mínimo necessário para a abertura da CPI.
A proposta recebeu apoio de parlamentares de diferentes correntes políticas, entre nomes da base do governo, da oposição e de grupos de centro. Segundo Ratinho, o objetivo é permitir que o Legislativo acompanhe a execução do programa e investigue possíveis irregularidades.
Fiscalização e denúncias
Sem revelar a motivação do pedido, o deputado afirma que tem recebido relatos envolvendo servidores das forças de segurança e também agentes políticos. Ele defende que todas as informações sejam apuradas, pois o programa será aplicado em vários municípios e deve impactar o cotidiano de moradores em diferentes regiões do estado.
Ratinho também cobra atuação mais direta dos comandos policiais. Ele diz que oficiais com postos de comando precisam acompanhar de perto o trabalho de suas equipes, reforçando que a Alerj deve participar do acompanhamento do programa.
Responsabilidade e transparência
O parlamentar destaca a necessidade de conter o avanço das barricadas, que dificultam o deslocamento de moradores e prejudicam a oferta de serviços públicos. Para ele, o Barricada Zero tem apoio dentro da Casa, mas precisa ser implementado com responsabilidade e transparência.
Ratinho afirma que, na próxima semana, vai se reunir com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, para apresentar a proposta e pedir apoio para a instalação da CPI.
O que é o Barricada Zero
O programa consiste em uma ação integrada entre forças de segurança, secretarias estaduais e prefeituras da Região Metropolitana para remover barreiras instaladas por criminosos com o objetivo de impedir o avanço do estado em áreas dominadas pelo tráfico ou pela milícia.
Inspirado no modelo adotado inicialmente em Belford Roxo, o projeto marca uma nova fase da política de segurança após a megaoperação que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, há três semanas.
A estratégia prevê que o estado forneça maquinário pesado e efetivo policial, enquanto as prefeituras assumem etapas logísticas, como retirada de entulho, aterramento de valas, iluminação, poda, limpeza e definição de locais de descarte. Segundo o Instituto de Segurança Pública, foram mapeadas 13.604 barreiras apenas no Grande Rio. O trabalho inicial atenderá 12 municípios.
A meta é reduzir o controle territorial exercido pelos criminosos, restabelecendo a circulação em áreas bloqueadas e permitindo o retorno de serviços públicos básicos. O governo afirma que a retirada sistemática das barreiras deve facilitar ações de policiamento, saúde, educação, assistência social e manutenção urbana.






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