A obra vencedora do Prêmio Jabuti em 2021, “O avesso da pele” de Jeferson Tenório, está no centro de uma polêmica que levou os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás a retirarem o livro de suas redes de educação para avaliação. A diretora de uma escola em Santa Cruz do Sul (RS) acusou o romance de possuir vocabulário de “baixo nível”, desencadeando uma onda de pressão conservadora contra a obra.
O livro faz parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) do Ministério da Educação e foi incluído em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Apesar de traduzido em 16 idiomas, a acusação de inadequação do vocabulário gerou a retirada dos exemplares das bibliotecas estudantis em três estados.
Jeferson Tenório denunciou distorções e fake news, apontando para uma estratégia da extrema direita em disseminar desinformação. Nas redes sociais, ele destacou que a preocupação com palavras de “baixo calão” e atos sexuais no livro supera o incômodo com temas como racismo, violência policial e mortes de pessoas negras.
O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, negou motivações raciais na decisão e afirmou que a preocupação era com o vocabulário explícito e de “baixo teor”. A bancada do PSOL-Rede solicitou ao Ministério Público Federal um inquérito por censura contra Miranda e o governador Ratinho Jr.
Artistas e intelectuais, incluindo Ailton Krenak, Mia Couto, Antônio Fagundes, Drauzio Varela, Djamila Ribeiro e Ziraldo, assinaram um manifesto contra a censura à literatura de Tenório. A polêmica começou com a diretora de Santa Cruz do Sul, Janaina Venzon, que alegou ser “lamentável” o envio do livro pelo governo federal, levando à retirada dos exemplares e ao pedido para que não fossem utilizados por professores.
Com informações de O Globo





