Presidente interina da Venezuela anuncia oferta de ativos estatais ao setor privado

Delcy Rodríguez afirma que avaliação dos bens não essenciais está avançada, mas não identifica empresas nem detalha condições de transferência

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A Venezuela prepara uma revisão de seu patrimônio estatal que poderá abrir caminho à transferência de ativos para investidores privados e à devolução de bens a antigos proprietários. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29) pela presidente interina Delcy Rodríguez, em pronunciamento televisionado no qual também prometeu eleições, mas não definiu uma data.

Segundo reportagem da Bloomberg, Rodríguez afirmou que a avaliação dos bens considerados não essenciais já está avançada. Ela não informou quais empresas ou propriedades serão incluídas, nem detalhou os critérios e as condições das possíveis transferências.

A iniciativa poderá reverter parcialmente estatizações realizadas durante mais de duas décadas de governos que ampliaram a participação do Estado na economia venezuelana.

Revisão do patrimônio

“Dei instruções para que os bens não essenciais detidos pelo Estado sejam avaliados a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários. Esse processo já está bem avançado”, declarou Rodríguez.

A presidente interina também ressaltou que a propriedade privada é protegida pela Constituição venezuelana.

O anúncio apresenta duas possibilidades distintas: oferecer ativos a investidores e restituir bens a seus antigos donos. O pronunciamento, porém, não esclareceu como o governo decidirá entre essas alternativas ou qual será o alcance econômico da medida.

Sem a identificação dos ativos, ainda não é possível estabelecer quais setores, além dos mencionados no discurso, poderão ser afetados.

Petróleo e mineração

Rodríguez destacou negociações para 44 acordos petrolíferos e 61 contratos com investidores locais e internacionais. Também mencionou acordos que classificou como importantes na mineração, sem apresentar detalhes.

O movimento dá continuidade à abertura econômica iniciada após a formação do governo interino, em janeiro, na sequência da captura e prisão de Nicolás Maduro, conforme o relato da reportagem.

Naquele mês, o Parlamento venezuelano aprovou a participação privada no setor petrolífero, alterando um dos pilares do modelo de controle estatal adotado no país.

Em agosto, um acordo entre Estados Unidos e Venezuela permitiu que empresas americanas passassem a operar campos de petróleo venezuelanos.

Os números anunciados nesta quinta-feira se referem a negociações em andamento. O material não informa quando os novos acordos serão concluídos nem os valores dos investimentos previstos.

Eleições e renda

Na frente política, Rodríguez afirmou que o país realizará eleições organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e acompanhadas pela comunidade internacional.

A promessa ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o governo após o retorno da líder oposicionista María Corina Machado. A presidente interina não apresentou um calendário e defendeu que a votação não se transforme em motivo para um novo confronto político.

Rodríguez também anunciou que a renda dos trabalhadores terá quatro aumentos em 2027. Segundo ela, cada reajuste será de, no mínimo, o equivalente ao crescimento econômico registrado no trimestre anterior.

O pronunciamento não detalhou os percentuais, as datas dos reajustes ou os mecanismos que serão utilizados para implementar os aumentos.

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