Presidente da Caixa diz que juros do BC enriquecem bancos privados e punem bancos públicos com função social

A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Rita Serrano, disse que o nível da taxa de juros definida pelo Banco Central (BC), atualmente em 13,75% ao ano, penaliza mais o banco.  Segundo ela, a concorrência sai ganhando com juros altos porque pode aplicar no mercado financeiro. Já a Caixa precisa emprestar porque é o banco…

A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Rita Serrano, disse que o nível da taxa de juros definida pelo Banco Central (BC), atualmente em 13,75% ao ano, penaliza mais o banco. 

Segundo ela, a concorrência sai ganhando com juros altos porque pode aplicar no mercado financeiro. Já a Caixa precisa emprestar porque é o banco social do governo.

Ela disse que encontrou um banco “desestruturado” e com problemas na área de tecnologia.  

Leia aqui trechos da entrevista ao Globo.

Em que situação a senhora recebeu a Caixa?

Encontramos um banco desestruturado, com sérios problemas em tecnologia, falta de investimentos. Do ponto de vista dos empregados, a gestão pelo medo foi muito forte. Pretendemos mudar essa cultura. A rotatividade de cargos causou um problema sério porque perdemos a continuidade das operações em alguns setores. Muita gente jovem ascendendo na carreira sem preparo. Muita gente foi defenestrada. Estamos encontrando profissionais muito qualificados que hoje estão como técnicos bancários em agências. Foi uma politica terrível na qual o banco perdeu a sua inteligência.

A Caixa vai ampliar os recursos em habitação?

Hoje temos problemas com as duas principais fontes de recursos, que são a poupança e o FGTS. A poupança perdeu R$ 33 bilhões em janeiro, sendo que R$ 12 bilhões foram na Caixa. O saque do FGTS vem aumentando muito com demissões e a política de saques sucessivos. Se esse cenário de taxas de juros continuar e o país não gerar emprego, vamos ter problemas de funding. Outra saída é usar recursos mais caros, como LCI (um tipo de investimento em renda fixa para o setor imobiliário). Mas no caso da habitação, o financiamento fica caro e inviável.

A senhora endossa as críticas ao nível da taxa de juros do Banco Central?

A taxa de juros alta traz um problema ainda maior para a Caixa. A maioria dos bancos ganha dinheiro investindo recursos em tesouraria e não ofertando crédito, eles se protegem. Já a Caixa, por ser um banco social, tem que investir em crédito, a gente vem tendo restrições em algumas operações porque precisa orçamento para isso. A taxa de juros muito alta penaliza mais a Caixa e os clientes.

O presidente Lula tem ampliado as críticas aos juros e ao presidente do BC, Roberto Campos Neto. A senhora concorda?

A taxa de juros está muito alta, é uma das mais altas do mundo e uma das funções nas regras do Banco Central é que haja também um olhar para a geração de emprego. Não falo com relação ao presidente do BC, mas a política de definição da taxa de juros é algo que precisa ser olhado com mais atenção porque você acaba agudizando a crise econômica.

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