A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro também repercutiu entre os candidatos à Presidência da República. Ao longo desta terça-feira (15), presidenciáveis publicaram vídeos e mensagens sobre os acontecimentos no plenário e fizeram críticas ao ministro e à situação da Corte.
A sessão começou no fim da manhã e se estende ao longo do dia, com os ministros discutindo as acusações e os documentos reunidos no processo. O julgamento é acompanhado pelos candidatos na esteira das eleições de 2026, que ocorrem daqui a 19 dias, e gerou manifestações de diferentes integrantes da corrida ao Planalto.
O candidato do Novo, Romeu Zema, participou de uma manifestação em Brasília e publicou vídeos com trechos da sessão. Em uma das gravações, criticou diretamente Moraes e afirmou que o ministro deveria tornar públicas as informações discutidas no julgamento.
“Quem não deve não teme. Que você [Moraes] abra tudo, deixa tudo ser visto, ser analisado. É assim que a Justiça funciona para um brasileiro comum e você é um brasileiro comum”, disse Zema.
O candidato também voltou a defender o que chama de “combate aos intocáveis”, expressão usada por sua campanha para se referir aos ministros do STF. Antes da sessão, um ato organizado por Zema reuniu apoiadores na Praça dos Três Poderes, com críticas a Moraes e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
‘Nunca vi um escândalo dessa gravidade atingir o Supremo’, disse Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) publicou, no X, uma crítica direta a Moraes momentos antes do início da sessão: “Eu nunca vi um escândalo dessa gravidade atingir o Supremo. O julgamento de hoje no STF é histórico porque escancara o que eu venho dizendo há tempos, faltou tudo, decoro, senso público e o mínimo de liturgia no exercício do cargo. A única atitude aceitável será o afastamento imediato do ministro Alexandre de Moraes.”
Horas antes, o candidato já havia defendido, também no X, mudanças estruturais na composição do STF caso seja eleito: “Vamos implementar critérios rígidos para o STF como idade mínima de 60 anos, comprovado conhecimento jurídico em todo o país, quarentena de 4 anos para voltar à profissão e de 8 anos para disputar a política.”
Renan Santos questionou possível desfecho
Renan Santos (Missão) comentou, no X, o impedimento de Toffoli e Kassio Nunes: “Votação sobre corrupção no STF e ministros no plural estão se declarando impedidos. E radical sou eu por não querer cumprir ordens ilegais desses ministros.”
Em vídeo publicado no Instagram, afirmou torcer pelo afastamento de Moraes e pelo fim do que chamou de “seu superpoder e da sua atuação arbitrária em processos”, mas expressou desconfiança de que o processo termine em impunidade, sugerindo envolvimento mais amplo de ministros do STF com o escândalo do Banco Master.
Flávio Bolsonaro não comentou diretamente os desdobramentos do julgamento
Em propaganda eleitoral exibida às 13h desta terça, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil está “sem comando” por causa de uma divisão de poder entre o governo Lula e Moraes. “O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é atoa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido”, declarou.
Fora da propaganda oficial, Flávio não comentou diretamente os desdobramentos do julgamento até o fim da tarde. Pela manhã, tomou café com aliados em Fortaleza e divulgou um vídeo em tom de pronunciamento oficial, criticando Lula pela situação do Supremo. Seu canal no YouTube transmitiu ao vivo, com imagens da TV Justiça, comentários sobre o julgamento com a participação de aliados como a deputada federal e candidata ao Senado Bia Kicis (PL-DF), havendo possibilidade de que o próprio candidato participasse da transmissão.
Augusto Cury postou referências à sessão
Augusto Cury (Avante) fez referência ao julgamento durante uma agenda na Avenida Paulista. O candidato publicou uma foto nas redes sociais em que aparece conversando com eleitores diante de materiais com críticas ao Supremo.
Em um dos banners, aparecia a frase “Enquanto eles gritam, eu escuto a dor do povo”. Outra imagem mostrava os ministros do STF acompanhados da mensagem “o Brasil que não queremos”.
Lula não se manifestou publicamente
O presidente Lula, que disputa a reeleição, não havia se manifestado publicamente sobre a sessão até o fim da tarde. Segundo interlocutores, ele pediu a assessores e integrantes da equipe jurídica que o mantivessem atualizado sobre o julgamento.
O presidente participou nesta terça de uma cerimônia no Palácio do Planalto realizada durante parte da sessão, mas não discursou no evento.







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